
(Foto: Hernán Díaz – Banco de arquivos da República da Colômbia)
Camilo Torres foi o fundador da Teologia da Libertação e foi morto há 60 anos, como integrante do ELN, defendendo os pobres colombianos.
O corpo do sacerdote, guerrilheiro e líder social colombiano Camilo Torres, desaparecido há quase seis décadas, foi localizado na Colômbia pela Unidade de Busca de Pessoas Desaparecidas (UBPD). O anúncio oficial, realizado em 23 de janeiro, ocorreu após a publicação de um comunicado do Exército de Libertação Nacional (ELN), que antecipou a informação e afirmou que o governo colombiano já havia identificado os restos, mas manteve o caso em sigilo.
A confirmação põe fim a um dos maiores mistérios do conflito colombiano. A busca pelos restos mortais começou oficialmente em 2019, após uma solicitação à UBPD. Os avanços mais significativos ocorreram nos últimos dois anos, com o uso combinado de técnicas forenses, geomática (processamento de dados espaciais) e análise documental.
Figura simbólica da história política do país, Camilo Torres estudou sociologia na Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica. Com os conhecimentos adquiridos, regressou a Bogotá para ser um dos fundadores da Faculdade de Sociologia da Universidade Nacional da Colômbia, onde também exerceu funções de capelão, caracterizadas pela organização de trabalhos sociais voltados a bairros populares da capital.
Em 1965, editou o semanário Frente Unido, uma publicação que reunia os movimentos revolucionários da época, influenciados pela Revolução Cubana de alguns anos antes. No mesmo ano, sua profunda vinculação com as ideias do ELN o levou a integrar suas fileiras, motivado ainda pela convicção de que a transformação social exigia uma ruptura com as estruturas tradicionais de poder. Foi recebido com o codinome de Argemiro. No entanto, em seu primeiro combate, em 15 de fevereiro de 1966, no município de San Vicente de Chucurí, foi morto após ser atingido por disparos de arma de fogo. Caiu com uma pistola na mão, defendendo os pobres de seu país. O chileno Víctor Jara dizia na canção “A Camilo”:

