Attention à la vie, nas palavras de Alfed Schutz, para se referir àquele tipo de atenção que predomina no “mundo da vida,” na vida cotidiana
Acabo de ver na calçada de em frente, uma moça a bater na porta de entrada do prédio onde mora ou onde pretendia ingressar
O que me chamou a atenção foi a ternura* que senti ao ouvir e ver os gestos, os movimentos, a tentativa dela de se adentrar depois da porta
Gostei de mim, tive um bom sentimento ao meu respeito
Sou essa pessoa, uma pessoa boa que ressoa com o que vê e com o que sente
Com o que sente, mormente
Um amigo e colega poeta e sociólogo esteve aqui em casa na terça-feira passada e disse que aqui até ele poderia poetizar. Escrever um poema. Não lembro exatamente da frase, mas sim do sentido
O sentido. Os sentidos
Que sentido tem escrever e ler?
Leio “Eugenia Grandet,” de Honoré de Balzac
Sereia dorme e eu vejo as luzes do dia que acaba de começar
O que senti ao ver a moça batendo no vidro da porta de entrada do prédio de em frente
O que sinto ao ler este livro de Honoré de Balzac, que me remete a Edgar Allan Poe in “A queda da Casa Usher”
O que sinto ao ler e ver e ao ler e me ver nesta idade, nesta beira de crepúsculo onde transito, nesta manhã de primeiro de fevereiro de 2026
Isto tudo de sentir e dos sentidos
Que sentido tem?
Ser mais. Ser eu mesmo cada vez mais eu, menos medos, menos fantasmas.
Que sentido tem os sentidos? Conexão, contato, afeto, pertencimento, conhecimento, união, ação, solidariedade, criação, criatividade, prazer, eternidade.
Prestando atenção a tudo, estou aqui. Estar aqui demanda toda a minha atenção. Não há outro lugar onde eu possa estar.
O meu trabalho como professor foi, durante anos, o de tratar de presentificar a vida em sala de aula.
Deixar o alheio, o estranho, o morto, o imposto ou implantado, e vir para a pessoa que sou, que é você, que somos e podemos ser.
Eu vinha de um treinamento despersonalizante, alienante, como o que predomina na cultura dominante
Ver nesta altura da vida, que sigo inteiro, é motivo de alegria.
Seja bem-vindo fevereiro. Mês de folia.
Festa. Celebração da vida.
No perderse. Não se perder.
Uma sereia mo lembra.
O sentido é o de ser feliz.
Felizes, a felicidade é plural.
Uma palavra faz a diferença.
Não sou outro, sou eu mesmo.
Não há outra vida, a vida é esta aqui.
Se houver uma outra, e nem duvido que haja, saberei na hora que segue ao instante final, o qual trato de não pensar.
Importa viver agora, esta hora, este instante
Ver o novo em cada pequena coisa. Nada se repete, sabemos. Atenção à vida, então!
Como deixar atrás o inexistente e vir para o presente?
Respirando.
Todo o Ser é uma atenção, um presente.
Sente sinto sinta sim.
Sinta-se bem. Sintamo-nos bem. É preciso. É necessário desfrutar da vida.
Descobrir o sentido dos sentidos, o sentido do viver, a plenitude do sentido, é a razão da minha vida.
—
*Lembrei da mensagem do Papa Francisco aos jovens: “Não tenham medo da ternura.” Repare: https://noticias.cancaonova.com/mundo/nao-tenham-medo-da-ternura-pois-ela-dignifica-afirma-papa/ (2024)

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/

Rolando Lazarte é verso
É expoente da prosa
É arte plástica que brilha
Em uma pintura hermosa.
Caminhante da docência
Foi forjado na ciência
Dos fenômenos sociais.
Traz além de tudo isso
Coerência e compromisso
Com os dons espirituais.
Martim Assueros, 2/2/2026
Em tempos em que parece já não haver mais tempo pra quase nada
Tempo para viver
Ainda há?
Martim Assueros Gomes assume desde a sua chegada a esta revista
Um papel presente em presença máxima
Intensidade total
Compromisso com a pessoa e com a palavra
Numa civilização do descarte, como dizia o Papa Francisco
Você valoriza a vida concretamente
Apoia e fortalece quem precisa
Este texto e o que ele suscitou em você
É um resgate de mim mesmo que está em andamento
Pelo que agradeço vivamente a sua ressonância.