Papa Francisco nos lembra da humanidade de Jesus

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Quem já se sentiu abandonado, traído? Quem já experimentou a companhia do amor de Jesus ao seu lado? O Papa Francisco nos lembra da humanidade de Jesus.

“Bendito é Aquele que vem em nome do Senhor!” – assim clamava a multidão de Jerusalém, acolhendo a Jesus. Fizemos nosso aquele entusiasmo, agitando os ramos de oliveira, expressando aquele louvor, aquele desejo, aquela alegria por Jesus, que vem até nós.

Sim, assim como Ele entrou em Jerusalém, Ele quer entrar em nossas cidades e em nossas vidas, como fez no Evangelho, montando um jumento. Vem até nós humildemente, mas vem em nome do Senhor. Com o poder do Seu amor divino, Ele perdoa os nossos pecados, e nos reconcilia com o Pai e com nós mesmos.

Jesus mostra-se contente com a manifestação popular de afeição daquela gente. E quando os fariseus pedem para Ele fazer calar as crianças e os outros que O aclamam, Jesus responde: “Se eles se calarem, as pedras gritarão.” Nada pode deter o entusiasmo pela entrada de Jesus. Nada impede de nEle encontrarmos a fonte de nossa alegria, da verdadeira alegria, que permanece, e dá a paz, porque só Jesus nos salva das armadilhas do pecado, da morte, do medo e da tristeza.

Mas, a Liturgia de hoje nos ensina que o Senhor não nos salvou graças a uma entrada triunfal ou a poderosos milagres. O apóstolo Paulo, na segunda leitura, sintetiza com dois verbos o percurso da Redenção: “esvaziou-Se e humilhou a Si mesmo”. Estes dois verbos nos dizem a que extremo chegou o amor de Deus por nós: Jesus esvaziou a Si mesmo, renunciou à glória de Filho de Deus, e tornou-Se Filho do Homem, para ser em tudo solidário a nós, pecadores – Ele, que não tem pecado. Não apenas viveu entre nós uma condição de servo – não de rei, nem de príncipe, mas de servo. Portanto, humilhou-Se. E o abismo de Sua humilhação, que esta Semana Santa mostra, parece não ter fundo.

O primeiro gesto deste amor até o fim é o Lava-pés: o Senhor Mestre se abaixa aos pés dos discípulos, tal como somente os servos faziam. Mostrou-nos, pelo exemplo, que nós temos necessidade de ser alcançados pelo Seu amor. Ele se inclina ante nós. Não podemos subestimar esse gesto. Não podemos amar, sem, primeiro, deixar-nos amar por Ele, sem experimentar Sua surpreendente ternura, e sem que aceitemos o fato de que o verdadeiro amor consiste no serviço concreto.

Mas, isto é apenas o início. A humilhação de Jesus torna-se extrema em Sua Paixão. É vendido por trinta moedas. É traído com um beijo por discípulo que havia escolhido e a quem chamou de amigo. Outros fogem e O abandonam. Por três vezes, Pedro O renega. É humilhado em Sua alma, com provocações e insultos. Sofre atroz violência. No percurso, o flagelo, a coroa de espinhos tornam Seu aspecto irreconhecível. Ainda sofre a infâmia e a condenação iníqua pelas autoridades religiosas e políticas. É feito pecado (…) Em seguida, Pilatos O envia a Herodes, e este O reenvia ao Governador Romano, que nEle não encontra prova de culpa. Jesus também sofre na pele a indiferença, pois ninguém quer assumir a responsabilidade pelo Seu destino. Aqui penso em muita gente, em muitos marginalizados, em muitos fugitivos, em muitos refugiados, pois também destes muitos não querem assumir a responsabilidade pelo destino deles.

A multidão que, havia pouco, O tinha proclamado, transforma a proclamação num grito de acusação, preferindo até que, em lugar dEle, fosse libertado um bandido. E assim é selada Sua infamante morte de cruz, reservada aos traidores, aos escravos, aos criminosos.

A solidão, a difamação e as dores ainda não constituem a culminância de Sua espoliação. Para ser em tudo solidário a nós, ainda sobre a cruz também vai experimentar o misterioso abandono do Pai, a Quem dirige Sua oração: “Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito.” Conduzido ao patíbulo, ainda enfrenta a última tentação: a provocação para descer da cruz, para vencer o mal pela força, a mostrar o rosto de um deus poderoso, invencível. Jesus, ao contrário, justamente aqui – no ápice do aniquilamento – revela o verdadeiro rosto de Deus, que é Misericórdia: perdoa aos Seus perseguidores, abre as portas do Paraíso para o ladrão arrependido e toca o coração do Centurião.

Se é abissal o mistério do mal, infinita é a realidade do Amor que o atravessou (…) assumindo todas as dores para redimir, trazendo luz sobre as trevas, vida sobre a morte, amor sobre o ódio.

Pode parecer-nos muito distante o modo de agir de Deus, que Se aniquilou por nós, enquanto para nós parece difícil até esquecer-nos um pouquinho de nós. Ele vem nos salvar, nós somos chamados a escolher o Seu caminho, o caminho do serviço, do perdão, do esquecimento de si. Que possamos caminhar nesta estrada, buscando, nestes dias, contemplar o Crucificado: é a cátedra de Deus. Convido-os a olharem, durante esta semana, esta cátedra de Deus, para aprender o amor humilde que salva e dá a vida; para renunciarmos ao egoísmo, à busca do poder e da fama. Com a Sua humilhação, Jesus nos convida a andar sobre Sua estrada. Que a Ele voltemos o nosso olhar. Peçamos-Lhe a graça de compreender pelo menos alguma coisa deste Mistério do Seu aniquilamento por nós. E assim, contemplemos, em silêncio, o Mistério desta Semana.

https://www.youtube.com/watch?v=yf5cIg4cMRM
(Do minuto 1:10:02 ao minuto 1:22:11)
Trad.: AJFC

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