
A xícara de chá, do Xá da Pérsia,
nunca quis se misturar
com as louças do armário,
a quem vivia a xingar:
“Sou uma xícara finíssima
e jamais vou permitir
que um xaropinho qualquer
encoste perto de mim!”
Num xeque-mate da vida,
o Xá da Pérsia morreu,
e toda louça elegante
vai parar em um Museu…
Mas durante a Mudança,
acontece o pior:
a asa da linda xícara
é quebrada e vira pó.
No Museu, ninguém sabia
o que era aquela peça,
e logo foi descartada,
bem ligeiro e bem depressa.
E lá na lata do lixo,
Xavier a encontrou,
ficou tão emocionado,
de alegria, até chorou…
Xavier era um mendigo,
todo dia procurava
algo na lata do lixo,
e muita coisa encontrava.
Mas nada se comparava
àquela peça tão bela.
Deste dia em diante,
não se separava dela.
Encantado com a beleza
daquela Xícara quebrada,
a falta daquela asa
não representava nada.
E assim, naquelas mãos,
a Xícara, em si, vai caindo:
humildemente, percebe
o quanto estava servindo.
O sentido de sua vida
não era a sua Aparência;
algo mais forte e bonito
estava em sua Essência.
A alegria maior
mora mesmo no “servir”:
eis o Sentido profundo
da Vida e do existir!
PerYaçu
Bananeiras-PB: novembro de 2024
Vera Periassu, poeta cordelista e educadora popular!
