Valorização do diálogo inter-religioso, a prática de uma espiritualidade integrativa e includente, sem fronteiras ideológicas, institucionais ou doutrinárias.

No documento (1) que o grupo Kairós-Nós Também Somos Igreja apresentou ao encontro internacional de IMWAC (Movimento Internacional Somos Igreja) em Lisboa, em outubro de 2012, se lê, como uma das propostas do grupo brasileiro aos demais participantes do encontro:

Valorizar o diálogo inter-religioso e a prática de uma espiritualidade integrativa e includente, sem fronteiras ideológicas, institucionais ou doutrinárias.

Aqui e agora, pretendo apenas desenvolver, de maneira sucinta, algo a respeito deste item. Embora todos nós sejamos, ao menos intelectualmente, em favor do pluralismo religioso, nem sempre temos uma atitude positiva com relação às demais religiões com as quais coexistimos na sociedade atual. Isto não deve ser visto como uma crítica da minha parte, mas, sim, apenas como um ponto a ser observado. Na medida em que possamos compreender que não apenas cada uma das religiões é um caminho para Deus, mas, mais radicalmente, cada pessoa percorre um único caminho, totalmente pessoal e singular, em direção a Deus, poderemos ter uma atitude mais fluida, mais realista, com relação ao que seja a conexão de cada ser humano com Deus.

O ser humano é uma realidade totalmente em mutação, constantemente mutante. O nosso grupo Kairos-Nós Também Somos Igreja, privilegia uma atitude aberta com relação à busca de Deus. Mais além de doutrinas e instituições, existe o mistério da vida, a troca entre quem busca viver em harmonia com o Divino. A nossa prática, por estar fortemente centrada no cristianismo e na vivência do Evangelho, privilegia a vida, a autêntica busca da pessoa por uma harmonização da sua existência cotidiana com a vontade divina. Nesse sentido, existe no grupo um profundo respeito pela tradição católica e os rituais e preceitos bíblicos, e a atitude predominante é a de discernimento, de autenticidade na busca da verdade, ao invés de acreditar em dogmas vindos de cima para baixo.

Quando falamos em uma espiritualidade integrativa, estamos dizendo: não há uma dissociação entre a vida cotidiana e a vida espiritual ou religiosa. A vida é sagrada. Tudo é sagrado.

Ao invés de perdermos tempo com explicações eruditas ou intelectuais, tentamos, a través do estudo e da reflexão, da troca de experiências e vivências, de crescermos comunitariamente, fortalecendo o nosso pertencimento à família, à sociedade de que fazemos parte, ao país e à humanidade como um todo.

(1) A nossa trajetória, objetivos e finalidades em um mundo (Igreja e sociedade) em mudança.
http://consciencia.net/a-nossa-trajetoria-objetivos-e-finalidades-em-um-mundo-igreja-e-sociedade-em-mudanca/

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