Setor de segurança privada emprega 20 milhões em todo o mundo, quase o dobro de policiais

Setor de segurança privada emprega 20 milhões em todo o mundo, quase o dobro de policiaisEstudo alerta para descontrole do setor, que ameaça respeito aos direitos humanos. Documento também aponta que, em 2008, Brasil esteve entre os líderes da exportação de armas de pequeno porte e munições, após os Estados Unidos, a Itália e a Alemanha.
O setor de segurança privada já emprega aproximadamente 20 milhões de pessoas. O número é quase o dobro da quantidade de policiais em atividade no planeta. O rápido crescimento é fruto da tendência dos governos em terceirizar suas funções de segurança, conforme relatório lançado essa semana com base nos dados da ONU.
A edição de 2011 da “Pesquisa sobre Armas Leves” (‘Small Arms Survey’), publicada nesta quarta-feira (06/07) pelo Instituto de Graduação em Estudos Internacionais e do Desenvolvimento, contabilizou também o comércio global de armas de pequeno porte e munições. O valor comercializado por ano está em cerca de US$ 7,1 bilhões e, em 2008, o Brasil esteve entre os líderes da exportação, após os Estados Unidos, a Itália e a Alemanha.
Em aeroportos, fronteiras, nas vias públicas e até nas prisões é cada vez mais comum encontrar seguranças privados. A pesquisa revela, no entanto, que os mecanismos de regulação e prestação de contas não acompanharam o ritmo dessa privatização.
Conforme denúncias detalhadamente descritas em seus livros, Noam Chomsky sempre chamou a atenção para o fato de que, para evitar que sejam denunciados por violações de direitos humanos, governos imperialistas e mesmo nações médias e pequenas terceirizam seus crimes contra a Humanidade. É o caso dos Estados Unidos, após sucessivas invasões – desde as mais “midiáticas”, como Afeganistão e Iraque, até intervenções menos conhecidas do público, como as intervenções de forças especiais norte-americanas em 18 países latinoamericanos em 2009, tornadas públicas pela Agência Pública.
Descontrole
Muitas empresas multinacionais não têm sistemas de supervisão fortes o bastante para impedir a contratação de pessoas com histórico de violência, diz o relatório. Isto pode ser percebido pela falta de registros dos abusos.
“Apesar das evidências de que algumas empresas de segurança privada estejam envolvidas na aquisição ilegal de armas de fogo, tenham perdido armas por roubo ou tenham feito mal uso de seus arsenais, não há registro sistemático de tais abusos”.
A Pesquisa sobre Armas Leves é um projeto independente com base nos dados mantidos pela Divisão de Estatística das Nações Unidas e do Registro de Armas Convencionais.
Acesse a pesquisa nas seis línguas oficiais da ONU clicando aqui.

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