Quem acredita em papai Noel?

O capital agoniza, mas não dá o braço a torcer. Mesmo com os países da zona do Euro sangrando, os banqueiros pedindo dinheiro no pires e o Estado bancando mercantilista, os neoliberais morrem jurando que esse sistema é o melhor para as pessoas e o mundo.
O capital corre o risco de cometer os mesmos erros do socialismo de Estado, que pensava poder pensar pelo cidadão tomando conta de suas vidas vinte quatro horas. Sem perceber (?) que tinha outros afazeres, como uma política de avanços sem perder a essência da própria palavra: humanizar o ser humano e torná-lo mais solidário.
Em todo seu conjunto, o capitalismo foi crescendo, desenvolvendo e aumentando o seu apetite até o ponto de perder o controle. Foi criado um mostro. O capitalismo sem conhecer o conceito de ética, foi rompendo barreiras, segregando, matando, separando as pessoas e as tornando mais egoístas. Em nome de um falso bem-estar, o capitalismo criou vários conflitos e um falso desejo de liberdade.
A Grécia está sentido literalmente na carne o preço da crise, sua população tem pagado uma dívida não criada por eles, e sim por descaso de outros governos anteriores que se aventuraram com o dinheiro público.
Liberais brasileiros estão se fingindo de cegos, não perceberam isso. Acham que a presença do Estado na vida povo é perda de tempo, então incentivam a venda de nossas riquezas naturais e a redução de direitos trabalhistas como férias, previdência e outros. Não querem dar o braço a torcer. Mas em 2008, no auge da crise, o Brasil tomou a decisão certa em ampliar a bolsa família, reduzir o IPI e aumentar os incentivos fiscais às indústrias. Em outras épocas a solução seria outra: privatizar.
No início da década de 90, comentava-se que o dinheiro das privatizações serviria para melhorar as escolas e a saúde. Balela! Tudo não passou de mentiras. Na mesma década, o governo admitiu que as vendas das estatais mal davam para pagar suas contas. Quem acredita em papai Noel?
O novo garoto propaganda do neoliberalismo se chama Rodrigo Constantino, um jovem com ideias liberais e forte crítico do Estado participativo na economia. Em recente artigo no jornal O Globo, o rapaz disse que umas das maiores empresas de petróleo do mundo tinha de ser privatizada. Quem ganharia com isso? O capitalismo selvagem.
O capitalismo vai de mal a pior. É tempo de rever os conceitos, pois ele experimentará do próprio veneno. A música de Roberto e Erasmo Carlos está bastante atualizada para o momento:
 
Eu não posso aceitar certas coisas que eu não entendo
O comércio das armas de guerra da morte vivendo
Eu queria falar de alegria
Ao invés de tristeza mas não sou capaz
Eu queria ser civilizado como os animais
Eu queria ser civilizado como os animais
Eu queria ser civilizado como os animais
Não sou contra o progresso
Mas apelo pro bom senso
Um erro não conserta o outro
Isso é o que eu penso
(*) Fabio Nogueira é militante da Educafro e estudante de história da Universidade Castelo Branco. E-mail: fabionogueira95@yahoo.com.br
 

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