O voto em Lula

Lula em 2018. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
Lula em 2018. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
Lula em 2018. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Estamos na reta final do primeiro turno para as eleições. Segundo as pesquisas, que sempre geram dúvidas e desconfianças, a disputa está acirrada e possivelmente deve haver o segundo turno nas eleições presidenciais.

Esses dados são apenas a foto de um período específico e captam apenas o sentimento de uma parcela da população, sendo que somente as urnas podem mostrar efetivamente o anseio da população.

Por certo é lamentável que siga a polarização política e que um dos polos disso seja uma alternativa de extrema direita, com toda sua retórica irracionalista e um programa de desmonte de direitos e serviços garantidos pelo Estado.

Não se trata de uma direita que defende seu programa com coerência e respeito às diferenças, mas de um bando armado de ignorância e vontade de se perpetuar no poder.

No campo progressista, não vivemos no cenário ideal. Por conta de nossas limitações e incapacidades políticas, elaboramos teorias sobre a construção de alternativas, mas somos incapazes de construir algo que supere o PT. Seguimos fragmentados e incapazes de fazer um debate político – não meramente sindical – com a base dos trabalhadores.

O PT, mesmo que tenha deixado de ser um organizador dos trabalhadores, segue sendo a referência eleitoral dessa classe. Lula é sua principal liderança política e seu legado, para o bem ou para o mal, não será superado em curto prazo.

Que outros caminhos sejam buscados pelos diversos segmentos da esquerda, por certo é legítimo, mas nada esconde o fato de que o maior contingente dos trabalhadores continua tendo o PT como forma prioritária de sua expressão política.

Nesse sentido, ainda que possa doer nos revolucionários mais puritanos em busca da estratégia mais límpida, não há como escapar do voto em Lula e nos candidatos de sua coligação nas eleições que se avizinham nos próximos dias.

O risco para a esquerda que busca a estratégia límpida é de se isolar ainda mais da classe trabalhadora, sendo, no melhor dos casos, uma referência sindical da qual os trabalhadores se lembram de vez em quando.

Para os trabalhadores não há grandes dúvidas sobre as diferenças entre Lula e qualquer um dos Bolsonaro. O nome Bolsonaro remete à pandemia, descaso com saúde, ideologia reacionária, fake news e todo o tipo de lixo que sua estirpe produziu ao longo dos últimos anos.

Lula, por sua vez, nos lembra redução de impostos, recomposição de investimentos em educação, reposição salarial e outras coisas que, apesar de seus limites, o diferenciam de Bolsonaro.

Por certo que a esquerda das boas ideias queria ver aí palavras como revolução, socialismo, conselhos operários, mas, se essa própria esquerda foi incapaz de construir um partido revolucionário ou pelo menos seu embrião, não deveria exigir agora que os trabalhadores cometam um suicídio político de ignorar a ameaça Bolsonaro.

Não vejo argumentos para alguém de esquerda não votar em Lula. Entendo as posições das pessoas da direita e sua total ausência de afinidades com Lula e o PT, e respeito a coerência de seu voto.

Mas, para qualquer progressista, a abstenção nesse momento, votando nulo ou optando pela esquerda que só pensa em sua autoconstrução, é um erro grave, no qual os principais prejudicados serão esses próprios setores ao se isolarem da classe que dizem representar.

Lula segue incontornável. O voto progressista, uma ação tática que por certo não vai rasgar a carteirinha comunista de ninguém, deve ser no PT e em sua coligação.

Quanto ao conjunto da esquerda, se quiser de fato construir o partido revolucionário, deve dialogar com os trabalhadores, com sua base real, e não apenas com a vanguarda sindical.

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