
O frio me visita com as mãos vazias,
Não traz motivo, nem rosto, nem nome.
É um sobressalto que devora os meus dias,
Um bicho invisível que de mim se consome.
Olho no espelho e não vejo o abrigo,
A mulher que ali mora me é estrangeira.
Não confio no passo, nem no que digo,
Sou sombra de mim, sou poeira e canseira.
“É coisa da mente”, eles dizem de longe,
Com vozes distantes, de quem não quer ver.
O mundo se cala, a ajuda se esconde,
Enquanto eu me perco no meu próprio ser.
Não há uma porta, não encontro a saída,
Neste quarto fechado que o medo inventou.
Sou náufraga em terra, na própria vida,
Gritando pro nada… que ninguém escutou.
AnnaLúciaGadelha
analuciagadelha.pb@gmail.com
Ouça aqui o poema musicado por Inteligência Artificial, através da Suno.

Nos momentos de medo, dor e angústia tudo parece maior, mais monstruoso e assustador do que realmente é. Por meio de um eu lírico introvertido a talentosa poeta nos trouxe esse mundo interior onde a visão não enxerga o fim de seu sofrimento sem um desenlace, pois sem esperança a alma definha, deixando-se consumir pela dor, contudo, aqui temos arte que infelizmente muitos têm como realidade. Belíssimo poema, receba meus cumprimentos, Anna.
Apesar de muito forte, tanta leveza nas palavras. Uma harmonia que só um poema tão bem elaborado pelo coração, pela alma transmite a quem está lendo, com tamanha suavidade. O dom de manifestar pelo eu lírico um excelente talento. Parabéns poetisa!
A narrativa de uma mulher solitária que busca a si e não se reconhece, grita e não é ouvida, o mundo se cala, como se nada houvesse. Quantos seres humanos se sentem assim, abandonados pela vida e por todos. Um pedido de socorro bem descrito poetisa. Aplausos.