Mensagem do Papa Francisco, antes da recitação do “Regina Coeli”, dia 12/04/2015

papaCaros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje é o oitavo dia depois da Páscoa, e o Evangelho documenta para nós as duas aparições de Jesus Ressuscitado aos Apóstolos reunidos no Cenáculo: a da noite de Páscoa, quando Tomé se achava ausente, e a de oito dias após, quando Tomé estava presente. Na primeira vez, o Senhor mostrou aos discípulos as ferida do seu corpo, fez o sinal de soprar sobre eles e disse: “Como o Pai me enviou, Eu também os envio.” Transmitiu-lhes Sua própria missão, com a força do Espírito Santo. Mas, naquela noite, estava faltando Tomé, que não quis acreditar no testemunho dos outros. “Se eu não vir, não tocar em Suas feridas – disse ele – eu não acredito.”

Oito dias depois – isto é, justo como hoje – Jesus volta a apresentar-se em meio aos Seus, e logo se dirige a Tomé, convidando-o a tocar as feridas de Suas mãos e do Seu lado. Vem ao encontro de sua incredulidade, para que, por meio dos sinais de Sua paixão, pudesse alcançar a plenitude da fé pascal, isto é a fé na Ressurreição de Jesus.

Tomé é a gente que não se satisfaz, busca, procura verificar pessoalmente, fazendo uma experiência pessoal. Após as resistências iniciais e as inquietações, enfim, ele também chega a crer, ainda que em ritmo de fadiga, mas chega à fé. Jesus o espera pacientemente e Se oferece às dificuldades e inseguranças do último a chegar. O Senhor proclama bem-aventurados aqueles que crêm sem ver – e a primeira destes é Maria, Sua Mãe -, mas também vai ao encontro da exigência do discípulo incrédulo: “Põe aqui teu dedo e vê minhas mãos.” No contato salvífico com as feridas do Ressuscitado, Tomé manifesta suas próprias feridas, suas próprias lacerações, sua própria humilhação: na marca dos pregos encontra a prova decisiva de que era amado, de que esperado, de que era compreendido. Encontra-se diante do Messias cheio de doçura, de misericórdia, de ternura. Era aquele Senhor a quem ele buscava, nas secretas profundezas do seu próprio ser, pois sempre soubera que era assim. E quantos de nós buscamos, na profundeza do coração, encontrar a Jesus, assim como é: doce, misericordioso, terno! Porque sabemos, no fundo, que Ele é assim!

Refeito o contato pessoal com a amabilidade e misericordiosa paciência do Cristo, Tomé compreende o significado profundo de Sua Ressurreição, e interiormente transformado, declara sua fé plena e total nEle, exclamando: “Meu Senhor e meu Deus!” Bela, bela expressão, esta de Tomé! Ele pôde tocar o Mistério pascal que manifesta plenamente o amor salvífico de Deus, rico em misericórdia. Tomé e também todos nós, neste segundo Domingo de Páscoa, somos convidados a contemplar nas feridas do Ressuscitado a divina Misericórdia que supera qualquer limite humano e resplandece sobre a escuridão do mal e do pecado. Um tempo intenso e prolongado para acolher as imensas riquezas do amor misericordioso de Deus será o próximo Jubileu Extraordinário da Misericórdia, cuja Bula de instruções homologuei, ontem à noite, aqui, na Basílica de São Pedro. Aquela Bula começa com as palavras: “Misericordiae Vultus”: o Rosto da Misericórdia é Jesus Cristo. Mantenhamos o olhar voltado para para Ele, que sempre nos procura, nos espera, nos perdoa. Tão misericordioso que não se espanta ante nossas misérias. Nas Suas chagas, Ele nos cura e perdoa todos os nossos pecados. Que a Virgem Mãe nos ajude a sermos misericordiosos com os outros, como Jesus o é para conosco.

http://www.news.va/pt/news/247824
Trad.: AJFC

Deixe uma resposta