Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus” – Dia 01.08.2021

A cena inicial do Evangelho da Liturgia de hoje nos apresenta alguns barcos em movimento em direção a Cafarnaum: a multidão vai à procura de Jesus. Poderíamos pensar que se tratasse de uma coisa muito boa. No entanto, o Evangelho nos ensina que não é suficiente procurar a Deus, antes, é preciso que nos perguntemos os motivos pelos quais O buscamos. Com Jesus, Jesus afirma: “Vocês estão me procurando, não porque viram sinais, mas porque comeram aqueles pães e mataram a fome com eles”. De fato, aquela multidão havia presenciado o prodígio da multiplicação dos pães, mas não havia cultivado o sentido daquele gesto: limitava-se ao milagre externo, havia-se limitado ao pão material: somente para isto, sem ir além disto, ao significado disto.

Eis uma primeira pergunta que nós todos nos podemos fazer: por que buscamos o Senhor? Por que eu procuro o Senhor? Quais são as motivações da minha fé, da nossa fé? Temos necessidade de compreender isto, porque, entre muitas tentações, que temos em nossa vida, entre muitas tentações há uma que podemos chamar de tentação da idolatria. É a que nos leva a buscar Deus para nosso uso e consumo, para que Ele resolva meus problemas, para Dele obter graça pelas coisas que não podemos obter sozinhos, por interesse. Mas, sendo assim, a fé permanece superficial e também – permito-me dizer – a fé permanece “milagreira”: procuramos a Deus para matar nossa fome e depois Dele nos esquecemos, assim que estamos saciados. Ao centro desta fé imatura não está Deus, estão as nossas necessidades. Penso em nossos interesses, em muitas coisas… É justo apresentarmos a Deus ao coração de Deus nossas necessidades, mas o Senhor, que age muito além de nossas expectativas, deseja viver conosco e ter conosco, antes de tudo, uma relação de amor. E o verdadeiro amor é desinteressado, é gratuito: não se ama para se conseguir um favor em troca! Isto se chama interesse. E quantas vezes, em nossa vida, nós somos interesseiros.

Uma segunda pergunta pode nos ajudar, aquela que a multidão faz a Jesus: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” É como se aquela gente, provocada por Jesus, dissesse: “Como podemos fazer para purificar nossa busca de Deus? Como passar de uma fé mágica, que só pensa em seus próprios interesses, à fé que agrada a Deus?”. E Jesus mostra o caminho: responde que a obra de Deus consiste em acolher Aquele que o Pai enviou, ou seja, ao próprio Jesus. Não se trata de multiplicar práticas religiosas ou de observar preceitos oficiais. Trata-se de acolher a Jesus, acolhê-lo em nossa vida, viver uma história de amor com Jesus. É Ele quem vai purificar a nossa fé. Sozinhos, não somos capazes. Mas o Senhor deseja ter conosco uma história de amor: antes das coisas que recebemos e fazemos, é a Ele a quem devemos amar. Trata-se de uma relação com Ele que vai além das lógicas do interesse e do cálculo.

É isto que vale ao olhar de Deus, mas também vale me nossas orações humanas e sociais: quando buscamos sobretudo satisfazer as nossas necessidades, corremos o risco de usar as pessoas e de instrumentalizar as situações para os nossos objetivos. Quantas vezes ouvimos alguém dizer: “Vejam como esta pessoa usa os outros e logo deles esquece”. Usar as pessoas em proveito próprio. Isto é ruim! E uma sociedade que coloca no centro seus interesses em vez das pessoas, é uma sociedade que não gera vida. Este é o convite do Evangelho: antes de nos preocuparmos apenas com o pão material que que mata a fome, busquemos acolher a Jesus como o pão da vida, e a partir da nossa amizade com Ele, aprendemos a nos amar mutuamente. Com gratuidade e sem tirar vantagem. Amor gratuito e desinteressado, sem usar as pessoas, com gratuidade, com generosidade, com magnanimidade.

Agora, rezemos à Virgem Santa, aquela que vivencio a história de amor mais bela com Deus, para que nos dê a graça de nos abrirmos ao encontro com o seu Filho.

TRAD: AJFC

Digitação: EAFC

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