Indígenas e defensores públicos se reúnem contra remoção da Aldeia Maracanã

Reunião ocorreu após o Governo anunciar que o prédio será preservado mas os índios deverão sair
 
Na tarde de segunda-feira, 28 de janeiro, foi realizada uma reunião sobre a Aldeia Maracanã, que estava sendo ameaçada de demolição devido ao projeto de reformas do estádio. Defensores públicos e indígenas estiveram presentes no encontro, realizado na sede da Defensoria Pública da União, no Centro do Rio. No local havia um burburinho por causa da coluna do Anselmo Goes, publicada n’O Globo, que dizia que o governador do Rio, Sérgio Cabral, não iria mais derrubar o prédio que abrigou o antigo Museu do Índio. Mas, segundo ele, os “invasores” teriam que sair do local. Após o início da reunião chegou uma nota à imprensa, que confirmava o que havia sido publicado no jornal: para Cabral, os índios têm que ir embora.
Compuseram a mesa da reunião os indígenas Afonso Apurinã e Ash Ashaninka, além dos defensores públicos Daniel  Macedo, João Batista Damasceno, Rafael Gonçalves e Andre Ordacgy. Na plateia estavam militantes dos direitos humanos  e ONGs. Ash enumerou as reivindicações dos povos originários: tombamento do prédio; manifestação da OAB, Defensoria Pública e grupos de Direitos Humanos a favor da Aldeia Maracanã e da permanência dos indígenas; e gestão do prédio por quem está lá. “O Governo fala que a vida está melhorando, mas em minha opinião só piora para o povo”, afirmou. O defensor Daniel Macedo ressaltou a necessidade de se pensar o que poderia ocorrer durante a reforma do prédio. “Se os indígenas forem tirados de lá, temos que garantir que eles sejam colocados em outro local e como será sua volta. Tudo isso deve estar planejado no papel, para não haver problemas”. Por sugestão do defensor público João Batista Damasceno, os presentes decidiram realizar três ações: enviar uma carta ao governo, com assinatura das lideranças indígenas, da Defensoria Pública e entidades de peso, como OAB e MPF; exigir o tombamento o mais rápido possível pelo valor histórico do terreno; e, por fim, federalizar a questão.
 Os índios não são invasores

O termo “invasores” foi logo questionado pelos defensores e indígenas presentes, já que o prédio histórico ficou abandonado por décadas pelo Governo. Só em outubro de 2006 os indígenas, de forma autônoma, voltaram a ocupar o local. Marize de Oliveira, professora de história e descendente de guaranis, estava na Aldeia Maracanã desde o início da ocupação. Ela mora em Caxias e voltou a morar com seus parentes indígenas desde que foi anunciado o despejo. Para ela, é imprescindível resistir para tombar o prédio e desenvolver, ali, um projeto de valorização e conscientização da cultura indígena no Rio. “O valor daquele espaço é muito mais do que material, pois ali foi decidido e planejado o Parque Nacional do Xingu e outras ações para os povos originários”, afirma.
Andre Ordacgy disse que o IPHAN está a favor dos índios, mas a AGU e a Funai não se pronunciaram. Rafael Gonçalves defendeu denunciar o problema para organismos internacionais, já que a Copa das Confederações será realizada no Brasil. Um dos principais pontos discutidos foi a conscientização da população sobre a importância histórica do prédio e da preservação e divulgação da cultura indígena.

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