Hip Hop e movimentos sociais se unem em solidariedade ao povo haitiano

“Hip hop canta e dança a solidariedade ao povo haitiano” foi o nome do evento que lotou o auditório do Sindicato dos Petroleiros durante a noite do último dia 25 de agosto. Os movimentos e artistas presentes falaram e cantaram em tom de protesto sobre o dilema que vivem os “irmãos” haitianos – os primeiros a se rebelarem contra a escravidão, como lembraram várias pessoas presentes.
ratin
Em outubro, o Congresso Nacional decide se as tropas do Brasil devem continuar fazendo parte da chamada Força de Paz da Onu no Haiti – a Minustah. Os participantes do evento ressaltaram a necessidade de mobilizações em todo o Brasil para que não seja aprovada a continuidade da participação brasileira. Em outros países que também fazem parte da Minustah, a mesma decisão deve ser tomada, já que no dia 15 de outubro, vence a licença das tropas estrangeiras no Haiti.
Entre as apresentações dos artistas e as saudações dos representantes dos Movimentos Sociais, foram apresentados vídeos sobre a situação do Haiti. Um deles – “O que se passa no Haiti?” choca pelas cenas dos haitianos feridos e mortos durante bombardeio das forças da ONU a uma favela haitiana. Para o jornalista que narra as cenas, se trata de uma represália da ONU às constantes mobilizações dos moradores dessa localidade pelo fim da invasão e retorno do presidente deposto Jean- Bertrand Aristide.
“As cenas do vídeo mostram o Haiti, mas se mudarmos as siglas se parece muito com algumas comunidades do Rio e do Brasil afora”, compara o vice-presidente da APAFunk, Mano Teco.
Artistas presentes questionaram a atuação do rapper MV Bill sobre a questão. No texto de convite para a manifestação, os organizadores lembram que no programa Domingão do Faustão, no dia 12 de julho, MV Bill defendeu a invasão do Haiti. Segundo os movimentos, ao mesmo tempo, uma delegação haitiana viajava pelo Brasil para denunciar as violações dos direitos humanos cometidas pelas tropas.
O evento que terminaria às 22 horas se estendeu para quase meia-noite. Mais de 20 artistas e grupos se apresentaram convidados pelo DJ Bola para assumirem o microfone. A manifestação foi organizada pelo Coletivo de Hip Hop Lutarmada, Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil, Sindipetro-RJ, Simerj, Conlutas, Pacs/Jubileu Sul, Clam, MST, Cecac, MO.RE.NA/CB, MTD, MTST, APAFunk, Quilombo Raça e Classes, Fórum de Trabalhadores da Zona Oeste, Recid –RJ.
Batalha de esperança
De um lado B.Boys e  B.Girls do Costa Break , do outro lado, B.Boys do São Gonçalo Break. Ao contrário de uma batalha no sentido exato da palavra, os garotos  sorriem, brincam, encenam. Com desenvoltura e animação, mostram uns aos outros os passos de break. A cada movimento mais elaborado, os companheiros e a platéia vibram.  Essa foi a batalha de break – uma das apresentações durante o “Hip Hop canta e dança a solidariedade ao povo haitiano”.
A cada momento um B.Boy e também duas B.Girls se apresentam ao grupo “rival”, como que chamando para o duelo. Do lado do Costa Break, alguns são ainda bem garotos. O Costa Break se desenvolveu em Costa Barros, na Zona Norte do Rio, e o São Gonçalo Break, no município de São Gonçalo, ambas regiões com histórico de violência e com populações desprovidas de direitos básicos. Entretanto, nos olhos dos jovens atentos aos passos uns dos outros se refletia claramente a marca da esperança de um futuro diferente.
“O que eu passo para esses garotos não é só o hip hop, é que eles vivem numa sociedade que urge ser mudada. Não vamos formar só artistas, vamos formar artistas capazes de mudar essa realidade”, disse um emocionado Gas-PA, um dos organizadores do evento, depois da “batalha”.  O Costa Break é um dos grupos que fazem parte do Coletivo LUTARMADA, do qual Gas-PA participa.
Mobilização continua
“Há uma repressão muito grande no Haiti, qualquer organização é reprimida pelas tropas. Antes de outubro precisamos lutar para não ser decidida a permanência das tropas no país. Que as mães e os pais dos soldados brasileiros que estão lá também peçam a volta dos seus filhos”, sugeriu Marcelo Durão, representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Marcelo contou também que uma brigada de cinco pessoas do MST foram para o Haiti com o intuito de ajudar a população, mas o grupo enfrenta inúmeras dificuldades para atuar.
Em todo o Brasil, os movimentos estão organizando manifestações em solidariedade ao Haiti e pelo fim da invasão das tropas da ONU.
Se apresentaram durante a manifestação os grupos e artistas:
O Levante
B.Negão
Re.Fem,
Mr. Roney
Us Neguin Q Ñ C Kala
Moleca
Bela Mafia
EDDI MC, K-Lot e o Bonde dos Cria
Delirio Black
Família Kapone
Negra Rô
MQV (Gospel)
Teko MC
Anti Éticos
Mano Cosme

3 comentários sobre “Hip Hop e movimentos sociais se unem em solidariedade ao povo haitiano”

  1. Estava lá, realmente foi um dia muito especial, onde pudemos saber da realidade do Haiti, também a noção de orgulho de pertencer ao mesmo continente deles, e a vergonha de também pertencer a uma nação q oprime os nossos irmãos.
    e só uma ressalva, Costa Barros fica, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, aliás sou morador desse bairro de povo tão sofrido!
    Axé!

Deixe uma resposta