
Quando o tempo me chamar um dia,
quero que a alma ainda irradie,
mesmo que o corpo já canse e reclame,
que o riso jamais me abandone.
Que eu me olhe no espelho sem nostalgia,
vendo nas rugas a poesia,
lembrando a estrada que caminhei
Os sonhos tantos que abracei.
Se a velhice vier devagar,
que traga histórias para me encantar,
que leve o medo, mas deixe o encanto,
que o coração ainda pulse em canto.
Não quero ser peso, nem fardo ou dor,
quero ser raiz, memória e amor,
que mesmo esquecendo algum nome ou lugar,
eu saiba sorrir, eu saiba abraçar.
E quando chegar o derradeiro instante,
que a vida me olhe, doce e constante,
dizendo em silêncio num sopro, num véu:
“Viver é o mais belo papel”.
AnnaLuciaGadelha
analuciagadelha.pb@gmail.com

O tempo tudo destrói
Mas, também constrói
Sim, o tempo destrói, mas meu poema é um desejo de que ele não destrua o essencial: o riso, o encanto e a capacidade de amar. O tempo constrói, e eu escolho que ele construa em mim histórias, raízes e um coração que ainda pulsa em canto até o derradeiro instante. A destruição faz parte, a construção é a nossa arte. Obrigada!!
O tempo deixa suas marcas no corpo, é o tal relóggio biológico que podemos retardar alguns segundos, porém, nunca freá-lo. Oxalá que um dia todos possam envelhecer com dignidade, recebendo o respeito e o carinho, transmutando experiências de vida em sabedoria. Amei os seus versos, Anna, talentosa poetisa.
, Aldrinseu comentário é um verdadeiro presente! Que a nossa esperança se cumpra: que todos possam envelhecer com a dignidade e o carinho merecidos, transformando experiências em sabedoria. Muito obrigada pela sua sensibilidade e pelo reconhecimento! Um abraço carinhoso.”
O que descreveu em seu poema é o que realmente poderia acontecer na maior idade, seria bom para todos e a velhice vivida de forma leve, tranquila e feliz. Que um dia suas palavras sejam realidade. Aplausos.
Que lindo comentário! Acredito que a poesia é o primeiro passo para construirmos essa realidade. Meu maior desejo é exatamente esse: que possamos todos encarar o envelhecimento com leveza, tranquilidade e muita história para contar. Que essas palavras se tornem o nosso futuro. Muito obrigada pelos aplausos!
Cada estrofe uma emoção diferente. Muito talento nesta obra prima indescritível! “Não quero ser peso, nem fardo ou dor,
quero ser raiz, memória e amor,
que mesmo esquecendo algum nome ou lugar,
eu saiba sorrir, eu saiba abraçar.” Sensibilidade admirável, perfeito!
Que lindo! O seu comentário me emocionou profundamente. É uma honra ter o poema classificado como “obra-prima indescritível”. Aquele trecho que você destacou é a minha oração: que o afeto e a capacidade de sorrir permaneçam até o fim. Muito obrigada pela sua admirável sensibilidade e carinho!