CORAÇÃO DA DIVISA, filme em defesa da Comunidade Tradicional de Cabeceira do Piabanha e contra mineração no Parque Estadual Alto Cariri, MG (Live)

LIVE de Lançamento do Filme CORAÇÃO DA DIVISA – Em defesa da Comunidade Tradicional de Cabeceira do Piabanha e contra mineração no Parque Estadual Alto Cariri em Salto da Divisa, MG – 05/6/2020.

O documentário “Coração da Divisa” aborda a história de Cabeceira do Piabanha, uma centenária comunidade tradicional do sertão de Minas Gerais, que luta contra os interesses da mineradora Nacional de Grafite. No centro dessa disputa está não só a luta pela permanência do modo de vida e do território da comunidade, bem como um complexo hídrico e a subsistência do Parque Estadual Alto do Cariri, em Salto da Divisa, MG. O Documentário aborda conflito entre Comunidade Tradicional e a mineradora Nacional do Grafite e latifundiários. A exploração minerária pretendida pela mineradora Nacional do Grafite coloca em risco território remanescente da Mata Atlântica em Minas Gerais A pandemia do novo coronavírus trouxe à tona a essencialidade de um bem vital: a água. Em tempos em que o acesso a esse precioso bem natural se torna um fator decisivo para a vida de milhões, 12 famílias ribeirinhas lutam para manter vivo o complexo hídrico do Parque Estadual do Alto Cariri, em Salto da Divisa, MG. A região abriga as 16 únicas nascentes de água potável do município de Salto da Divisa, na região do Vale do Jequitinhonha. Há mais de 70 anos, o patrimônio hídrico e ambiental é protegido pela Comunidade Tradicional, Agroextrativista e Artesã Cabeceira do Piabanha. No entanto, esse bem está ameaçado. Além de abrigar diversas fontes hídricas, a região também é rica em jazidas de grafite. Dois fatores que tornaram a comunidade um alvo constante do interesse de empresas mineradoras. Coagidos com ameaças, famílias foram forçadas a deixar a região de Cabeceira do Piabanha, que é uma Comunidade Tradicional Agroextrativista e Artesã reconhecida pelo governo do estado de Minas Gerais. O povoado, que se formou nos anos 50 do século XX, vive desde então da terra, com a produção e a venda de alimentos agroecológicos. A comunidade era constituída por 12 famílias que protegiam as nascentes que fundam o rio Piabanha, um dos afluentes do Rio Jequitinhonha, no Parque Estadual Alto do Cariri. Desde 2014 os ribeirinhos são cotidianamente ameaçados por fazendeiros e mineradora. Até mesmo animais domésticos da comunidade foram assassinados como forma de intimidar as famílias. Em 2015, em um dos mais marcantes episódios, três agentes de pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT) – Edivaldo Ferreira, Paulo André e Irmã Geraldinha – foram vítimas de uma emboscada quando voltavam da Cabeceira do Piabanha. Após seis anos de violência cotidiana, por segurança, parte das famílias foi forçada a deixar a região. “Não é a mesma coisa. Nosso sonho é um dia reconquistar a nossa Cabeceira do Piabanha. Lá é a nossa terra, é lá que nossos avós, pais e irmãos estão enterrados”, desabafa com a voz embargada o trabalhador rural Nivaldo Morais Nascimento. A defensora pública Dra. Ana Cláudia Storck, da Defensoria Pública de Minas Gerais, explica que a comunidade deveria ser protegida pelo governo do estado: “A Cabeceira do Piabanha é uma das comunidades protegidas pela Constituição Federal, no seu modo de criar, fazer e viver. São comunidades, que muitas vezes, com a própria vida, defendem um patrimônio ambiental” declara. O Parque Estadual Alto do Cariri foi fundado em 2008 pelo Decreto 44.726. Atualmente, a região conta com uma área de 6.151,1380 hectares e fica na divisa dos municípios de Santa Maria do Salto e Salto da Divisa, no Baixo Jequitinhonha, MG. O território é um importante remanescente de Mata Atlântica, responsável pela preservação de espécies ameaçadas como o macaco monocarvoeiro, maior primata das Américas. No entanto, essa reserva está sob ameaça. Desde 2015 tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais o PL 1480/2015 que propõe a alteração dos limites do parque. A nova demarcação retira o território da Comunidade de Cabeceira do Piabanha dos limítrofes do parque. Com isso, a mineração no território – que hoje é proibida por lei, por se tratar de uma área de preservação – fica permitida. A extração mineral na área das nascentes seria um ponto final não só para o curso hídrico, mas também para toda a reserva ambiental do seu entorno, inclusive o Parque Estadual do Alto Cariri. Enquanto o mundo briga contra o coronavírus, no #CoraçãodaDivisa ribeirinhos lutam por nossas águas. Nos últimos meses, o mundo parou. O número avassalador de mortes imobiliza. Para frear o alto índice de contágio pelo #coronavírus, o acesso à água é fator decisivo. Enquanto o mundo tenta conter a propagação do vírus, no #CoraçãodaDivisa ribeirinhos lutam para manterem vivas as águas do Parque Estadual Alto do Cariri (MG).

Videorreportagem de frei Gilvander Moreira, da CPT, CEBs, SAB e CEBI.
Edição: Frei Gilvander
Belo Horizonte, MG, 05/6/2020.
 
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