
Não sei se alguém passou por aquela varanda e no batente deixou
Um botão, um botão de rosa abandonado.
Era um botão de rosa azulado com pontinhos alaranjados,
Seguro no batente da varanda,
Onde se via embaixo a cidade acinzentada
E em cima o céu azul com nuvens esbranquiçadas.
E o vento soprava, soprava e não o levava.
Será que foi um botão de rosa de despedida?
Foi ali esquecido ou ao acaso colocado?
Seria uma promessa de amor quebrada?
Ou um cenário para uma pintura ou poesia?
Chamava a atenção sua cor, beleza, resistência.
Ele foi amavelmente me seduzindo,
Ocupando toda a folha branca do meu caderno,
Tomando forma, tomando corpo,
Ficou ali bem colorido e me alegrou,
Aquele botão de rosa branca quase azul,
Poetizado e desenhado,
Para sempre não mais abandonado.
Ana Amelia Guimarães meliaguima@gmail.com

Ó, que crônica delicada! Sua persepção daria um ótimo Haikai. Receba meus cumprimentos, Ana Amélia.
Obrigada Aldrin, muito me envaidece sua observação. Abraços.
Ana Amélia,seu poema é um lindo manifesto sobre como a arte resgata e dá novo significado à vida. Parabéns por essa sensibilidade!
Prezada amiga, estamos juntas no amor a arte, que venham mais se juntar a nós para podermos contribuir para um mundo mais bonito. Gratidão.