É urgente, pois, mudar o eixo da economia e, definitivamente, propor políticas públicas que coloquem as pessoas em primeiro lugar; afinal, o objetivo precípuo da atividade econômica é um só: dar resposta positiva à vida de todos nós…
Marcus Eduardo de Oliveira
No decorrer do século XXI, o Brasil ainda apresenta uma faceta de problemas econômicos e sociais típicos do século XIX. Essa marca arcaica, talvez fruto da tardia transição entre a sociedade agrária para a sociedade urbano-industrial, é verificada nos indicadores socioeconômicos que apontam dedo em riste para a consolidação do que há de pior em termos de desigualdade: a pobreza extrema. ..
É relativamente recente a aproximação do pensamento econômico tradicional em relação às preocupações em torno da questão ambiental. Ao longo do tempo, de forma consensual, os economistas trataram a preocupação ecológica, envolvendo a vital preservação do meio ambiente e das condições de vida, como simples retórica; em alguns casos, muitos viam nisso não mais que uma mera manifestação romântica…
De um lado, temos um bilhão de pessoas que passam fome. Desse contigente de famintos, quase 200 milhões são crianças, e destas, mais de 10 milhões morrem, todos os anos, de inanição. Do outro lado, quase 800 grupos corporativos mundiais dominam a cena da intermediação financeira e se regozijam com a “economia da acumulação e da devastação”, pouco se importando se, para essa acumulação, são gerados custos ambientais, se o ar é poluído e se as águas são contaminadas…
Para a economia brasileira, o segundo semestre de 2012, ao contrário do que deverá ocorrer nas principais economias mundiais, exceção feita ao Reino Unido, promete apresentar uma aceleração puxada, basicamente, pela demanda interna (consumo das famílias medido pelas vendas no comércio), diz o economista paulista Marcus Eduardo de Oliveira, professor da UNIFIEO e da FAC-FITO…
À medida que o meio ambiente apresenta evidentes sinais de estar enfraquecido em face da agressão patrocinada pela expansão econômica sem freios, abre-se perspectiva de maior inserção dos preceitos que emolduram a chamada Economia Ecológica. Mas, afinal, o que pretende a Economia Ecológica?
À medida que o segundo semestre do corrente ano começa a avançar surgem as “previsões” econômicas para 2013. Em termos estritamente econômicos, o cenário que se vislumbra não é nada animador: “tempestade econômica”, recessão continuada, baixas taxas de crescimento e elevação do desemprego….
A ideia de melhorar qualificativamente uma economia buscando, no curto prazo, crescimento econômico, só faz sentido se – e somente se – esse ganho não ficar restrito aos aspectos econômicos; ou seja, é necessário que se estenda as benesses do crescimento para o lado social, priorizando, para tanto, a adoção de uma agenda social com significativos compromissos que fomentem, essencialmente, a melhoria da “qualidade de vida”, codinome do desenvolvimento econômico…
Para iniciarmos essa conversa, um fato importante deve ser ressaltado: uma economia com uma face mais humana e social, preocupada e centrada na análise das questões sociais, tem sido constantemente sufocada em nome de modelos microeconômicos distorcidos que são dirigidos, em geral, a favor de ganhos cada vez maiores na escala especulativa, atendendo assim uma minoria de privilegiados…
