Alheios

Foto de https://www.youtube.com/watch?v=rE9ql6LQ7Nc

Eu vi uma criança correndo.

Um senhor lendo o jornal.

Uma mulher olhava para o infinito.

Uma borboleta fazia suas coisas de borboleta.

Um motorista apressava-se para sua vida apressada.

Um homem fumava para se acalmar.

Alguém lia um livro.

A árvore balançava, ali perto, motivada pelo vento temporário.

O sol, sem ser impedido pelas nuvens, ensolarava.

E se não estivéssemos aqui? E se, sem a consciência deste mundo, nem sequer pudéssemos refletir sobre o que são o aqui, o lá e a consciência de si?

A criança, alheia, continuaria correndo.

Um senhor, ainda assim, leria o jornal.

Uma mulher olharia para o infinito, talvez ainda mais longe.

Uma borboleta não abandonaria seus afazeres de borboleta.

Um motorista continuaria apressado.

Um homem acenderia outro cigarro.

Alguém, alheio, leria outro livro.

A árvore, ainda motivada, ali permaneceria.

O sol manteria sua nobre missão de manter vidas alheias, sonhos alheios, crianças correndo e consciência de si.

Exceto para os que não estão mais aqui.

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