Eu vi uma criança correndo.
Um senhor lendo o jornal.
Uma mulher olhava para o infinito.
Uma borboleta fazia suas coisas de borboleta.
Um motorista apressava-se para sua vida apressada.
Um homem fumava para se acalmar.
Alguém lia um livro.
A árvore balançava, ali perto, motivada pelo vento temporário.
O sol, sem ser impedido pelas nuvens, ensolarava.
E se não estivéssemos aqui? E se, sem a consciência deste mundo, nem sequer pudéssemos refletir sobre o que são o aqui, o lá e a consciência de si?
A criança, alheia, continuaria correndo.
Um senhor, ainda assim, leria o jornal.
Uma mulher olharia para o infinito, talvez ainda mais longe.
Uma borboleta não abandonaria seus afazeres de borboleta.
Um motorista continuaria apressado.
Um homem acenderia outro cigarro.
Alguém, alheio, leria outro livro.
A árvore, ainda motivada, ali permaneceria.
O sol manteria sua nobre missão de manter vidas alheias, sonhos alheios, crianças correndo e consciência de si.
Exceto para os que não estão mais aqui.
Gustavo Barreto, 44, é jornalista com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ, com 16 anos de experiência em organismos internacionais. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira. Saiba mais: https://gustavobarreto.me

Sendo hoje o meu terceiro dia desde o retorno de Mendoza, minha terra natal, não posso menos que me alegrar por ter encontrado este poema de Gustavo Barreto neste lugar que se tornou para mim quase que um segundo lar. Que digo? Uma casa. Obrigado, amigo! Nada mais significativo do que a sincronia que nos mostra o nosso lugar no mundo. O sentido da vida. Que as palavras deste poeta sensível e atuante, nos brinda com uma música que é ela mesma, um universo de acolhimento e simetria. Para não me estender em palavras, direi que é a hora em que o sol desenha suas cores e alegria no céu da cidade. Mendoza. João Pessoa. Cidade. Casa. Lugar. É isso aí!!!!!