O juiz Peterson Simões, da 3ª Vara Criminal de Niterói, decidiu nesta quarta-feira (29/07) adiar o julgamento dos quatro policiais acusados de matar cinco jovens no Morro do Estado, em Niterói.
O juiz condenou, entretanto, a atitude dos advogados dos réus que renunciaram à defesa dos policiais apenas 11 dias antes da data do julgamento. Ele ressaltou que os advogados sabiam desde o dia 30 de abril que a sessão seria no dia 28. Ainda de acordo com o juiz, a comissão de ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) será acionada para avaliar a atitude dos advogados.
O pedido do adiamento foi feito pelo defensor público dos quatro réus, que alegou ter tido pouco tempo para analisar o processo. A nova data foi agendada para 24 de setembro, às 9h, no Fórum de Niterói.
Familiares e amigos das vítimas continuarão mobilizados
Wellington Santiago de Oliveira (11), Luciano Rocha Tavares (12), Edimilson dos Santos Conceição (15), José Maicom dos Santos Fragoso (16) e Wedsom da Conceição (24) foram assassinados no dia 3 de dezembro de 2005. De lá para cá, alguns dos familiares, juntamente com a Associação de Moradores do Morro do Estado e entidades de defesa dos direitos humanos, lutam para que o caso não caia no esquecimento.
“É uma irresponsabilidade muito grande dos advogados. Não é fácil para os moradores do Morro do Estado virem para cá e encararem frente a frente os policiais que mataram seus filhos”, avaliou Sebastião de Sousa, da Associação dos Moradores do Morro do Estado. Fernanda de Oliveira, mãe de Wellington de Oliveira, uma das vítimas, era a prova de como é mesmo difícil passar por essa situação. Fernanda chorou muito e foi embora amparada por amigos.
Apesar da situação, a Associação dos Moradores considerou correta a decisão do juiz, diante da postura dos advogados que abandonaram o caso. A população do Morro do Estado continuará mobilizada e organizará outro protesto, como o que realizou no último dia 24.
Várias mulheres, entre elas mães, irmãs, tias, primas e amigas das vítimas compareceram para o que seria o julgamento. Ao final da sessão se reuniram e marcaram para o dia 16 de agosto, às 14h, uma reunião das mulheres do Morro do Estado para tratarem da mobilização para o julgamento e outros problemas enfrentados por elas no Morro.
Policiais aguardam julgamento em liberdade
Os policiais Antonio Carlos Miranda, Wanderson Soares Nunes, José Francisco de Araújo Júnior e José Roberto Primo Domingos serão julgados por homicídio qualificado e tentativa de homicídio. A última acusação se refere a um jovem que levou dois tiros, mas sobreviveu aos disparos. O Jovem está no programa de proteção à testemunha.
O defensor público que assumiu a defesa dos réus, Jorge Mesquita, procurado pelo Fazendo Media após o julgamento, solicitou um prazo maior para analisar o caso antes de responder sobre a defesa dos acusados.
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
