
Rosinha, botão de Rosa,
reluta em se abrir,
com medo de ressecar,
e deixar de existir.
E, com esse seu receio,
recolhe-se mais e mais;
nesse tal recolhimento,
influencia as demais:
Rosamélia, Rosalina,
Rosana e Rosali
assimilam sua ideia
e não querem se abrir.
Dizia a linda Rosinha
aos botões lá da Roseira:
– Vamos sim nos recolher,
e isto não é besteira!
Somente uma Rosinha
jamais fará Primavera;
mas, se todas nos fecharmos,
a linda Estação “já era!”
Raíssa, borboletinha,
escuta esta conversa
e fala a todo mundo
bem ligeiro e depressa:
Tudo está comprometido
com esta Revolução,
pois se não tem Primavera,
não há mais Renovação!
Convida suas amigas:
Rute, Raquel e Ritinha
para uma reunião
lá na relva da pracinha.
Chama também as Joaninhas:
Rúbia, Renata, Rebeca
e o Besouro Roberval
para importante conversa.
Resolvem chamar também
Romeu, lindo Beija-Flor
que, nesta Reunião,
age como Assessor:
– Regina, Abelha Rainha
e Rodolfo, o Zangão,
vão ficar apreensivos
com esta situação.
Mas, precisamos ter calma,
agiremos com Amor,
com um Coração imenso
num corpo de beija-flor.
Primeiro, convidaremos
Raí, nosso Rouxinol,
que cantará às rebeldes
do nascer ao pôr do sol.
A Melodia suave
tocará o Coração
de cada futura Rosa
que insiste em ser Botão.
Aos poucos se abrirá
o mais lindo Roseiral,
garantindo a Primavera,
nossa Estação genial!
Iremos logo em seguida,
suaves, devagarinho,
beijar cada uma delas
com Respeito e com Carinho.
E assim aconteceu
como disse o Beija-Flor:
– No Mundo nada resiste
à Revolução do Amor!
Uma Rosinha só não faz a Primavera;
mas juntas, fazem a Revolução!
PerYaçu
Bananeiras-PB: outubro / 2024
Poema de Vera Periassu, poeta cordelista e educadora popular!

Belíssimo poema e postagem. Esperança feita arte. Revolução é a pessoa voltar para si, ser ela mesma, se recuperar por inteiro. E isto acontece em comunidade, em movimento, na solidariedade, na construção coletiva.