No ano de 1984 eu tomei conhecimento de um escrito de Anaïs Nin intitulado “A nova mulher,” publicado no livro Em busca de um homem sensível. De lá para cá –desde o momento em que pus os olhos nesta breve e densa peça– nunca mais deixei de voltar a ela, de uma maneira ou de outra.
Em vão tentei dizer para mim mesmo e para as leitoras e leitores desta revista, os por quês deste encantamento. São tantos e tão essenciais, que tentar enuncia-los seria pouco mais do que repetir o referido texto.
Para não dizer que estou evitando a tarefa a que me propus, decido agora enunciar algumas perguntas e questões que ao meu ver fazem deste escrito uma obra memorável. (1) Define de maneira clara e precisa as razões pelas quais as pessoas escrevem.
(2) Enuncia de maneira concreta e real, as razões da criação artística, que não se restringem à produção de obras de arte, mas se voltam para a própria vida, e (3) Dilui por falso, o esquema sexista que separa a humanidade em homens e mulheres.
Somos todas e todos andróginos. Uma composição de feminino e masculino é o que nos constitui. Espero que esta breve nota possa estimular mulheres e homens a tentarem se ver nos escritos desta mulher que soube ser ela mesma. Não desistiu do seu sonho de ser escritora. E deixou uma semente duradoura.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
