Persistência

Esta revista tornou-se um pedaço de mim. No meio a todos os vendavais da vida ela prossegue. Se parece com a fé, com a confiança no amanhã, a esperança que se aninha nos passos que vamos dando dia após dia, atrás dos nossos sonhos.

Mais além de tropeços ou escuridões, algo em nós persiste sempre. Os tempos atuais parecem assinalar um colapso da humanidade, mas a humanidade não colapsa. O que colapsa são as tentativas de destruir o que nos faz humanos. Isso é o que perece.

Por toda parte vejo sinais de resistência. As pessoas não se rendem. Não podemos nos render. A rendição é a morte. E a morte que advém da desistência é pior do que a morte corporal. Há algo em nós, humanos, que não cede nem diante das piores ameaças.

A pior das ameaças é a perda da fé. Não me refiro à fé que é crença, embora esta também seja uma fonte forte de persistência. Refiro-me à fé que aninha no próprio respirar, no olhar para os nossos filhos e filhas e saber que valeu a pena. Vale sempre a pena dar mais um passo.

Insistir na educação, na cultura, no estudo da história que nos põe o pé no chão. Caem os governos ilegais e inconstitucionais. Cai a mentira que se esconde na imbecilidade espalhada e tornada habitual. Nada poderá nos roubar o direito de persistir no empenho humanizador que se nutre do trabalho pessoal e comunitário que honra a vida.

Passam os vendavais que esvaziam a linguagem e a comunicação, instituindo a desconversa, a desabitação do presente, a banalização do tempo. Uma hora as pessoas acordam para o valor inestimável da vida. Esta revista é e continuará a ser uma trincheira de defesa do que é mais valioso.

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