Brian Coyne
Talvez devamos conceder a Francisco o benefício da dúvida, já que sua primeira encíclica é realmente uma reelaboração da última encíclica de seu predecessor Bento.
Acabei de ler a Lumen Fidei. Não a achei muito estimulante: podia ter-se recorrido a uma boa edição de cópia. É um pouco de miscelânea. Como observava um amigo, é um bombardeio “de bytes” com tonalidade poética e petista com traços da prosa erutida ratzingeriana jogados aqui e ali. O autor/os autores fez/fizeram eventuais tentativas de uma linguagem de inclusão, mas a maior parte da carta proclama a mensagem papal na conhecida prosa documental da Igreja: nomes e pronomes masculinos descrevem os homens e as mulheres.
Na teoria, Lumen Fidei busca instruir as pessoas que vive no mundo de hoje. Sua piedade, porém, é do Bento de ontem, com uma dose da Mariologia dos velhos tempos de Francisco.
A Lumen olha com receio para o nosso mundo contemporâneo. inspirado no velho olhar agostiniano de que o-mundo-é o mal. Esta é naturalmente também o a forma do velho Ratzinger.O termo “Vaticano II” se acha espalhado no texto de Bento-Francisco como passas num bolo, mas com um sabor estranho, e falta-lhe o sabor da perspectiva mais positiva de incarnação do Vaticano II. Enfim, é oferecido aos leitores a costumeira advertência um endentimento apropriado da fé requer fidelidade ao Magistério, e de que as diferenças sexuais (de ser um homem e de ser uma mulher) corresponde ao plano divino para a sexualidade humana.
Se o Bispo de Roma fosse meu aluno, eu sugeriria que ele deletasse esse documento e tentasse refazê-lo, depois de meditar sobre algo como o último relatório Pew acerca da crença contemporânea.
Nos anos mais recentes, por exemplo, os levantamentos da Pesquisa Pew encontraram evidência de um progressivo declínio no compromisso religioso nos Estados Unidos e na Europa Ocidental. Por exemplo, continua a crescer o número de Americanos que não se identificam com nenhuma religião. (E continua o êxodo católico). Cerca de um quinto de todo o publico dos Estados Unidos – sendo um terço de adultos abaixo dos 30 anos – estavam desfiliados, desde 2012. Dois terços dos Americanos de hoje – filiados ou não – as instituições religiosas estão perdendo influência sobre suas vidas cotidianas.
Com o atual Bispo de Roma e com o Bispo emérito de Roma, eu me atreveria a dizer que as pessoas de hoje necessitam de uma boa dose da Lumen Fidei. Eu gostaria de ver uma nova e melhor Encíclica escrita que abordasse questões da realidade contemporânea: O que significa fazer a experiência de Deus, hoje? Como falar de Deus e de Sua presença em nossas vidas diárias e nos acontecimentos do mundo? Como podemos viver com dignidade e no respeito mútuo como homens e mulheres com grande diversidade de dons de Deus, e em contínua evolução sexual, cultural e identidades étnicas? E qual é, pois, o lugar das instituições religiosas nesse grande cenário?
Que a Luz da Fé brilhe intensamente e ilumine todo o Povo de Deus.
Fonte: http://www.catholica.com.au/forum/index.php?id=137097
Trad. Alder Júlio Ferreira Calado
