Era fome, companheiros do Horto Florestal, muita fome, uma fome universal, fome passada e – quem sabe? – futura, o motivo principal da ação dos Senhores Ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), a estranha razão que os mobiliza contra o povo do Horto, segundo a insuspeita reportagem do insuspeito (no caso) jornal O Globo de domingo 6 de julho.
Mas a fome deve ter sido já não digo satisfeita, mas bem minorada com a solução que encontraram: deram-se a eles próprios aumentos milionários. Sabem para quê? para comerem! Isto mesmo, uma gorda verba, milionária mesmo, para alimentação. E, espantem-se vocês, para comerem os alimentos passados…Não entendi bem. Mas a verba é retroativa, além de presente e futura…Porra! Haja verba e fome. Mas que o poder os ajude, pois a ajuda de Deus pelo visto já conquistaram em missas e cultos dominicais. Não lhes queremos mal, que comam à vontade. Sinceramente, sem sacanagem, espero que não rebentem de tanto comer, mas, por favor, deixem o povo do Horto em paz.
Vejam que foi o Meritíssimo Ministro Joaquim Barbosa, ungido merecidamente pelo Globo como o Homem do ano, quem disse daqueles Ministros: “Só que o TCU, nós sabemos, incorre com frequência em ilegalidades e inconstitucionalidades. Depende da conveniência”, disse Barbosa no dia 11 de junho.
Vejam bem, companheiros do Horto, é o ilustre e honrado Ministro Joaquim Barbosa quem diz, “incorre, com frequência, em ilegalidades e inconstitucionalidades”, como esta – dizemos nós – dolorosamente classista e racista contra o Horto.
Mas agora- quem sabe?-, saciada a fome, bem alimentados, e considerando, com certeza, que não são canibais – deixem o Horto em paz. Lembrem eles, enfim, que o bom dinheirinho que os alimenta e engorda é dinheiro público, nosso portanto.
(*) Miguel Baldez é professor e procurador do Estado do Rio aposentado. Veja sua entrevista ao Fazendo Media sobre regularização fundiária.
A fome do TCU e o horto florestal
