O tal professor machista

O machismo, uma cultura enraizada em nosso país por motivos já conhecidos dos historiadores (por exemplo), merece toda a atenção.
Em relação ao caso do professor machista, não deveríamos, mesmo, fulanizar o tema. Não é Fulano ou Sicrano o “culpado” por uma cultura – apesar de, evidentemente, poder eventualmente personificá-lo magnificamente. Mas veja como ele é virtual – no sentido de potência do real, prestes a se concretizar: a intensidade do debate está aí pra mostrar. Ele faz florescer um debate escondido.
Por que se potencializou ainda mais? Pelo lugar da fala. Esperamos posições machistas de pessoas machistas, não de feministas.
Duas posições surgem – como tem surgido, com variações, há pelo menos 40 ou 50 anos de debates sobre feminismo, nas minhas contas:
A. Bobeira discutir isso. Mais importante é a luta de classes, as “mazelas sociais”, a economia. É tudo luta de classes, o resto vem depois.
B. Vamos discutir o machismo e sua perenidade mesmo em setores que supostamente adotam bandeiras feministas, ou seja, pela igualdade de direitos e dignidade humana, sem distinção de gênero.
O(A) machista adota a posição A. Ele não quer saber de outra coisa, tudo é classe, não há identidade possível a não ser a do opressor/oprimido genérico. A(O) feminista a posição B: as opressões se entrecruzam, se relacionam, colocando pesos distintos a partir de entradas distintas do sujeito contemporâneo.
E quem não abre mão da posição B? Quem sofre na pele o problema, como por exemplo um monte, um monte mesmo, de amigas feministas que atuam em movimentos sociais e organizações mais à esquerda. A opressão é aberta, limitadora, vivida diariamente. Todos os dias. Basta fazer o exercício da escuta.
Seu “esquecimento” é o que fundamenta, por exemplo, a perpetuação da cultura do machismo, a mesma que na outra ponta do processo faz com que uma mulher seja estuprada no Rio a cada duas horas. E muitos daqueles (não todos, claro!) que deveriam atentar para a especificidade da questão acham que é bobeira, assunto menor.
Textos sobre o tema por Niara de Oliveira e do Escreva Lola Escreva.

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