O sertanejo

Xilogravura Os Retirantes – J.Miguel
Pés rachados
Rosto enrugado
Coração apertado
Sertanejo maltratado

Chuva que não vem
Gado morrendo ao léu
No bolso nenhum vintém
Olhos secos olhando pro céu

Sertão esquecido pelos soberanos
Só morte, fome e desgraça
O cenário é só de carcaça
Desde a época dos lusitanos

Sem opção arribam para outras terras
Retirante sem esperança no coração
Deixa seu amado e sofrido Sertão
Fraquejou e emudece seu grito de guerra

AnnaLuciaGadelha analuciagadelha.pb@gmail.com

 

Vídeo com o poema 𝑂 𝑆𝑒𝑟𝑡𝑒𝑛𝑒𝑗𝑜, de autoria da poeta AnnaLuciaGadelha, que retrata o sofrimento do sertanejo durante a seca.

Declamação: ferramenta do Google AI Studio

Música de fundo: Instrumental Suno AI

Produção e edição de vídeo: Aldrin Marcelo Félix

10 comentários sobre “O sertanejo”

    1. Muito obrigada pelo seu feedback tão gentil e pela honra de ter o poema hospedado no canal! Seu comentário sobre as ‘realidades áridas’ me emocionou. A arte só faz sentido quando toca as pessoas. Gratidão imensa pelo apoio.

    1. Que gentileza! O ‘Bravo’ vindo de você é um grande incentivo. É uma honra ter a minha poesia vista como um retrato fiel dos problemas sociais e econômicos da seca. Muito obrigada pelo apoio e pelo reconhecimento

    1. Fico muito feliz que a poesia tenha tocado você dessa forma. O meu objetivo é justamente este: retratar a dor e o drama humano causado pela seca. Se o poema cumpriu essa missão, o crédito é seu que o leu com o coração. Muito obrigada pelos aplausos, amiga querida

  1. Versos tristes, porém muito realista. Uma inspiração diferenciada que trás todo o sofrimento do povo sertanejo. Mais triste ainda é saber que esta realidade persiste até os dias atuais. Se o sertanejo soubesse o poder que tem, seria necessário conhecer a própria realidade, a ilusão em que vivem, a enganação que são submetidos.

    1. Seu comentário é tão potente quanto os versos. É justamente essa tristeza do realismo persistente que me move a escrever. A reflexão sobre a necessidade do sertanejo conhecer o próprio poder e a ilusão a que é submetido é fundamental. A poesia tenta ser esse pequeno holofote, essa inspiração diferenciada, para que a voz do sofrimento não se cale. Muito obrigada pela leitura profunda e por essa análise engajada

    1. Grata de alma e coração pelas palavras tão gentis. Esses versos nasceram da dor calada de um povo que resiste, mesmo quando o céu nega chuva e a terra nega pão. Que bom saber que a poesia cumpriu seu papel: tocar corações.

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