
Parabéns ao nosso país por ser o maior produtor e exportador de café. A todos os apreciadores do cafezinho, meus cumprimentos, desde as pessoas mais simples às mais abastadas. Muitos não podem ficar sem tomar café diariamente; dizem que cura a dor de cabeça, dá energia, felicidade e até traz juventude. E vamos ao conto.
Nunca gostei muito de café, principalmente puro; prefiro adicionado ao leite. Na casa de meus pais, nunca faltava o cafezinho, todos os dias pela manhã e à tarde, seja no desjejum ou no lanche vespertino. E se tínhamos visita, minha mãe sempre mandava coar um cafezinho feito na hora para servir aos visitantes, às vezes acompanhado de um bom pão de queijo, de deliciosas broas de fubá ou de um bolo de chocolate, feitos pela nossa boa, prestativa e caprichosa Marilde.
O coador de pano nunca chegou a ser substituído pelo de papel, pois o de pano tinha um sabor especial. Lembro-me de ela comprar o café Arábia, que era um dos melhores na época. Nas raras vezes em que tentei fazer café, acabei sujando a pia, deixando-o ralo e frio. E ainda havia a recomendação da minha mãe: “Se não der para sentir o perfume do café enquanto ele estiver sendo feito, não presta”. Sabíamos que, sem esse detalhe, o café não ficaria bom mesmo.
Às quintas-feiras, minha mãe recebia algumas amigas para jogar buraco. O café sempre fazia parte do lanche, servido em xícaras de louça com pires e suportes de prata. Elas eram bem animadas e se distraíam com o jogo; a dupla que ganhava sempre ficava satisfeita, e a outra logo queria a revanche.
Os tempos mudaram e ficaram as lembranças recheadas de saudades. Na minha casa, eu nem sequer tinha cafeteira, pois sou adepta do café solúvel. Misturo uma colherinha dele com leite em pó desnatado, uma colher de Nescau e outra de chocolate em pó 100%, fazendo um cappuccino caseiro para o meu café da manhã.
Porém, outro dia, andando pelo Armazém Paraíba, encantei-me com uma cafeteira cor-de-rosa que já vinha com o suporte para o coador de papel e a comprei. Pensei que poderia colocar água quente e também fazer um café para as minhas visitas — isso 35 anos depois de casada!
Ontem, recebemos sobrinhas que vieram de longe e me deparei com a grande oportunidade de fazer o café, usar minha linda cafeteira e servi-lo nas xícaras guardadas que herdei da minha amada mãe. Bem, imagine eu fazendo café sem saber a medida certa… Lá fui eu: quatro colheres de sopa de pó e meia panela de água fervendo. Ficou forte, espalhou o cheiro pelo ar e ficou bem quente. Uma sobrinha gostou, outra achou forte e colocou um pouco de água, e os outros não falaram nada. Nem provei porque tenho insônia. Mas me senti realizada.
Atualmente a terapia que eu e minhas amigas gostamos de fazer é, pelo menos uma vez por semana, ir a um Café para nos distrair, conversar, rir, falar sobre livrose ler poesias.
O aroma do café, as lembranças, o resgate das xícaras que herdei de minha mãe, servir, recordar e viver esse momento, somente a agradecer… Amadureci e me senti no encanto do menestrel.
Ana Amélia Guimarães
E-mail: meliaguima@gmail.com
