Frente pela Vida exige punição de responsáveis pelas milhares de mortes evitáveis por Covid-19 no país

A Frente pela Vida fez um alerta à população para a defesa da democracia, da vida e do Sistema Único de Saúde (SUS), em manifestação virtual realizada na quarta-feira, 9/06. No momento em que o Brasil se aproxima da marca de meio milhão de mortes causadas pela Covid-19, entidades cobram a punição do governo federal e pressionam pela aceleração da vacina para todos, comida no prato e auxílio emergencial de, no mínimo, R$ 600.

No protesto, que encerrou a 2ª Marcha pela Vida, após diversas atividades realizadas durante o dia pela internet, representantes de entidades que compõem a Frente pela Vida e parlamentares enfatizaram a importância da CPI da Pandemia no Senado Federal, que apura a responsabilidade pelos crimes cometidos durante o enfrentamento à pandemia.

“A gente não pode transformar a sociedade em cobaia, para fazer experimento e ver o que acontece. São quinze meses desde o início da pandemia no Brasil e, infelizmente, ainda nos deparamos com a maior figura da nossa República questionando o número de mortes. Estamos todos muito cansados, mas não desistiremos de lutar”, afirmou o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula.

“Tudo que está sendo dito na CPI está deixando claro o tamanho do crime contra a população brasileira”, afirma a deputada federal Jandira Feghali. “Todos os sinais que temos neste momento são autoritários, de desrespeito à Constituição e às instituições. Temos que reforçar as jornadas democráticas e a Saúde sempre foi vanguarda na democracia brasileira”, alerta.

O presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto, destacou em sua fala a forte agenda política que tem sido implementada pelo colegiado no último período para defender a vida de toda população brasileira.

“Lutamos para que fosse instalada a CPI da Pandemia e estamos atuando juntos à comissão, não estamos esperando de braços cruzados. Entregamos documentos que já estão sendo utilizados para a investigação e responsabilização de quem está cometendo crimes no nosso país. Vamos continuar transformando esse luto em luta para estancar a sangria que tem acontecido”, afirma Pigatto. Nesta quinta-feira (10/06), a CPI deverá votar o requerimento do convite para o depoimento do presidente do CNS. Outras entidades que compõem a Frente pela Vida também deverão participar da CPI.

Esta manifestação virtual ocorreu exatamente um ano após a 1ª Marcha, quando o país ainda apresentava menos de 40 mil mortes e cerca de 740 mil casos confirmados. Desde então, a Frente pela Vida tem realizado diversas ações para marcar o seu posicionamento, com embasamento científico e social, pelo fortalecimento do SUS, contra a mercantilização da vacina e pelo lockdown nacional como estratégia para combater o novo coronavírus.

“Estamos o tempo todo trabalhando para salvar vidas, defender o SUS e defender a democracia. Continuamos o nosso trabalho e hoje, estamos aqui defendendo vacina no braço, comida no prato, auxílio emergencial de R$ 600 e o fortalecimento do SUS”, disse Gulnar Azevedo, presidenta da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Punição aos gestores responsáveis: “Há um ano, estamos fazendo o enfrentamento ao governo federal, que tomou a decisão racional e insensível de expor a população brasileira a maior tragédia da sua história. Temos um cenário friamente calculado, que tem o presidente da república como responsável”, avalia o coordenador nacional da Rede Unida, Túlio Franco.

O Controle Social, as entidades científicas da saúde e bioética, acadêmicos, pesquisadores e diversos outros atores sociais que compõem este movimento amplo continuam somando esforços pela quebra de patentes de insumos e vacinas contra a Covid-19, pela proteção dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, pela revogação da Emenda Constitucional 95 e financiamento adequado ao SUS.

“A articulação da Frente pela Vida é decisiva para barrarmos o atual projeto genocida e será fundamental, sobretudo, para reconstruirmos o SUS e o projeto de país. Vários problemas de saúde se agravaram diante da hiper lotação, internação e adoecimento de pessoas com Covid-19. São inúmeras pessoas que apresentam sequelas variadas neste momento, que tiveram doenças crônicas e saúde mental agravadas”, afirmou o deputado federal Alexandre Padilha.

“Vamos superar a devastação deste projeto criminoso que está em curso no nosso país, não permitiremos que o Brasil seja ocupado por este bando de criminosos. Estamos com muita disposição de luta, estamos aqui honrando a vida a saúde e democracia no nosso país”, finalizou a presidente do Centro Brasileiro De Estudos De Saúde (Cebes), Lúcia Souto.

Fonte: ABRASCO

(10-06-2021)

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