Especialista alemão denuncia violência criminosa de Israel

Da Prensa Latina

O especialista alemão em direito internacional Norman Paech denunciou hoje a violência criminosa de Israel contra ativistas de uma missão humanitária que transportou um carregamento de ajuda à Faixa de Gaza na Frota da Liberdade. A investida do exército israelense na segunda-feira contra o comboio humanitário próximo à costa de Gaza em águas internacionais deixou, ao que parece, nove mortos e dezenas de feridos, ainda que a cifra de vítimas possa ser maior.

Segundo a Fundação turca de Ajuda Humanitária, que denunciou a existência de desaparecidos após o assalto à frota da paz, as autoridades israelenses entregaram até o momento os cadáveres de nove pessoas, mas a lista é mais longa e ainda falta gente. Em declarações para o jornal vasco Berria, Paech ratificou a disposição dos ativistas de continuar as ações pacifistas para romper o bloqueio de Israel contra Gaza, declarado ilegal pela comunidade internacional.

Recordou que a nave irlandesa “Rachel Corrie” se encontra neste momento a caminho de Gaza, território palestino. O governo de Dublín solicitou a Tel-Aviv que permitisse ao barco sua chegada à Faixa com ajuda humanitária.

O ex-deputado do partido socialista Die Linke (A Esquerda), integrante do grupo de cerca de 750 ativistas da Frota da Liberdade, denunciou que, depois do assalto na noite da segunda-feira, não contavam com semelhante violência criminosa por parte do exército israelense. Paech, de 72 anos, foi testemunha presencial dessa tragédia junto a outras duas parlamentares alemãs, Ingo Höger e Annette Groth.

Diante das afirmações de Israel de que no barco turco Mavi Marmara se teriam encontrado armas, o especialista em direito internacional negou sua existência argumentando que por um acordo entre todas as organizações “pretendíamos protestar pacificamente, mas de forma decidida, contra o bloqueio à faixa de Gaza”.

“Quando se produziu o assalto armado nós estávamos fora da zona de soberania, que oscila entre 70 e 120 milhas marítimas, segundo o direito internacional marítimo, isto é, nos encontrávamos em águas internacionais”, enfatizou Paech. Relatou como na madrugada foram surpreendidos pelo ataque do exército sionista com fortes detonações de granadas de gás e de fragmentos desde helicópteros. Esclareceu também que as imagens de vídeo difundidas procediam dos militares israelenses, “já que eles ficaram com tudo o que filmamos, e inclusive com os corpos dos mortos e feridos. Nos roubaram as provas”.

“Mas uma coisa deve ficar clara: foi um ataque ilegal em águas internacionais. Segundo o direito internacional, a marinha turca estava autorizada inclusive a enviar um barco de guerra para ajudar o barco turco. Ainda que fosse verdadeiro que os passageiros bradaram suas armas, isso não se pode comparar de nenhuma forma com os métodos brutais e as armas usadas pelos atacantes”.

“Não contávamos com semelhante violência criminosa”, reiterou o especialista alemão em sua denúncia sobre o ataque de Israel à frota humanitária que se dirigia à Faixa de Gaza, bloqueada desde 2009, e do silencio cúmplice dos Estados Unidos e da União Europeia.

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