E eu com isso?

Sólo le pido a Dios, que la reseca muerte no me encuentre vacío y sólo sin haber hecho lo sufciente.
León Gieco

Não espere que aconteça diretamente com você, para se importar. Pode ser muito tarde. E se incomodar esta leitura, o tom que possa ser ou parecer apelativo, nada posso fazer. É como vem vindo este escrito, e aqui está. Penso na violência. Ela se fez presente na minha vida desde muito cedo. Não vou citar pormenores, apenas que desde muito jovem tive que me tornar ciente, demasiado ciente, de que há gente para quem a vida humana não vale nada. Você é uma coisa, algo para usar e descartar, para certo tipo de gente. Isto me tocou viver no âmbito muito próximo, nas relações pessoais, e no âmbito público, pois sou argentino, e a Argentina vive em um sistema totalitário, mais ou menos abertamente ditatorial segundo as épocas, desde há já uns 50 ou 60 anos, mais ou menos.

O tempo passou, mas a violência se tornou uma companhia indesejável, infelizmente, no dia a dia também do lado de cá da fronteira, no Brasil.
A vida parece valer muito pouco, e isto em várias dimensões. No setor doméstico, mulheres e crianças sofrem de agressões no lugar onde deveriam estar mais ao abrigo de qualquer violação à sua integridade física e mental, emocional.

Nas ruas, cada vez mais um desconhecido que se aproxima pode ser um ladrão ou um agressor. Os meios de comunicação (ou de amedrontamento?) veiculam horas a fio, dia após dia, acidentes, crimes, assaltos, todo tipo de formas de violência. Isto como para que a pessoa não esqueça de que uma bala pode estar vindo na sua direção, não importa daonde. Ou para lembrar de que você pode sair da sua casa e não voltar. A vida é incerta, todos sabemos. Mas parece que há um interesse em tornar cada vez mais precária a confiança das pessoas umas nas outras.

Não estou propondo tapar o sol com uma peneira. Mas temos de tomar cuidado para que o medo não nos roube o tempo.

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