Como Lula usa sua influência para avançar nas questões relacionadas à covid no país

Mesmo longe do Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem utilizado sua influência política para fortalecer o combate à pandemia no Brasil.

Na última quinta (17) durante entrevista à CNN, o petista pediu ao democrata Joe Biden, que os Estados Unidos convoquem um encontro emergencial do G20 para discutir a distribuição de vacinas contra a novo coronavírus no Brasil e em outros países mais pobres.

“É importante convocar os maiores líderes do mundo e colocar sobre a mesa uma única coisa, um único assunto. Vacina, vacina e vacina”, disse Lula.

“Eu sei que os Estados Unidos possuem vacinas em excesso e que não serão usadas todas essas vacinas. E talvez essa vacina, quem sabe, possa ser doada ao Brasil ou a outros países, até mais pobres do que o Brasil, que não podem pagar por essa vacina”, sugeriu.

O governo Bolsonaro informou nesta quinta (18) que Biden havia enviado uma carta ao presidente Jair Bolsonaro na qual defendeu que os dois países “unam esforços” para enfrentar a pandemia e os desafios da área ambiental.

De acordo com a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), a mensagem é de 26 de fevereiro e uma resposta ao tardio cumprimento de Bolsonaro ao democrata em razão da eleição à Casa Branca. O capitão reformado apoiou Donald Trump e só se manifestou diplomaticamente semanas após o resultado.

Sputinik V

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha afirmou em entrevista à Revista Fórum no início da semana que Lula também participou de uma reunião para aquisição de doses da vacina russa Sputnik V em novembro de 2020.

Conforme afirmou o infectologista, Kirill Dmitriev, diretor do Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF), disse que o presidente  Vladimir Putin teria incentivado a reunião com o líder petista.

“Pode contar, Lula tem mais horas de reunião buscando soluções sobre a pandemia com ex-ministros, lideranças internacionais, pesquisadores, produtores de vacina, do que o Bolsonaro tem com o seu Ministério e seu generalato”, criticou Padilha.

Durante a entrevista, ele reforçou ainda que a conversa de Lula com os russus “abriu a relação com o Consórcio do Nordeste”. A articulação entre os governos de 9 estados nordestinos comprou 37 milhões de doses do imunizante desenvolvido pelo Instituto Gamaleya. A Sputnik V tem uma eficácia de 91,6% contra as formas sintomáticas da doença respiratória.

Em janeiro, Lula e Dilma Rousseff também intermediaram o envio de insumos chineses para a produção de vacinas. Houve atrasos nas entregas, um processo também influenciado pelas estremecidas relações diplomáticas do atual governo com a China.

Tanto Bolsonaro quanto Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, já haviam criticado e debochado amplamente do país asiático por razões ideológicas.

Em resposta, os petistas enviaram uma carta ao presidente chinês Xi Jinping na qual elogiaram a condução da pandemia e criticaram o negacionismo do governo.

A volta do Zé Gotinha

O primeiro pronunciamento do ex-presidente após a anulação dos processos da Lava Jato de Curitiba (PR) também trouxe efeito imediatos sobre a prática da gestão Bolsonaro.

No mesmo dia, horas após as declarações do petista, o discurso sobre a vacinação contra covid-19 mudou. Além de circular nas redes sociais o slogan “nossa arma é a vacina”, o Ministério da Saúde anunciou que apostará todas as fichas na compra de mais imunizantes, independentemente do país de fabricação.

O posicionamento contradiz a narrativa antivacina construída e reforçada por Bolsonaro desde o início da pandemia, especialmente contra o imunizante de origem chinesa CoronaVac.

Outro fato que chamou atenção é que o presidente e sua equipe, que não utilizavam máscaras durante coletivas, apareceram utilizando a devida proteção.

Durante o pronunciamento de Lula, as medidas de prevenção foram garantidas. Além das máscaras, os presentes realizaram distanciamento social.

O ex-presidente também perguntou em seu discurso “onde estava o Zé Gotinha?”, mascote das campanhas de vacinação do governo há anos e, até então, ignorado pela gestão Bolsonaro.

Foi então que o personagem foi divulgado por integrantes do governo, inclusive por Eduardo Bolsonaro, mas com armas nas mãos. A modificação também foi amplamente criticada.

Edição: Vinícius Segalla

Fonte: Brasil de Fato

(18-03-2020)

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