Tempo

Esse ofício de tecer e costurar

Quase que digo coser

Argentino que sou, o espanhol vem de primeira

Neste diário

Fui crescer

Vim ser quem sou

Meses depois, esta manhã voltei

E vi a página renovada

Antigos nomes de volta

Tempos estes de coser tempos a tempo em tempo

Contratempos

Inevitável

Descosturas descomposturas tortura tentar

Deter a passagem das horas

Que digo?

Os instantes passam e com eles nós passamos

Para onde?

Para onde estávamos, mas de novas maneiras

Eternizar é isto, ou pode ser isto

Se soubermos que não sabemos se haverá amanhã ou mais tarde esta tarde

Morte próxima e volta

Voltar, volver

Sempre volver a seguir

Uma luz lá no alto ou ao lado ou adentro

Passos passam e seguem e volto e sigo e volta e meia me perco e te perco

E paciência me falta ciência para saber que ser é estar sendo.

2 comentários sobre “Tempo”

  1. Execelente estado de consciencia e sensibilidade sobre o passar do tempo. Uma forma de gerar comunhão e sentido do camunhar !

    1. Agradeço mais este seu comentário precioso e preciso. Não existo sem esta relação com quem nos lê. Esta revista é um espaço de acolhimento e diálogo. Reconstrução da confiança. Projeção de um agir comunitário. Construção de um tecido solidário que nos fortaleça na nossa caminhada. Nestes temos em que muitas pessoas se fecham em si mesmas, se isolando do mundo em volta, a sua atitude dialógica é especialmente apreciada.

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