O incêndio aconteceu uma semana após o agricultor solicitar ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a finalização do processo de demarcação da Terra Indígena Toldo Pinhal, onde a sua propriedade está inserida.
Povos indígenas
Entidades e lideranças sociais denunciaram o governo brasileiro em Genebra por violações de direitos indígenas no processo de construção de grandes hidrelétricas na Amazônia.
Segundo os indígenas, jagunços fortemente armados circularam a aldeia Encanto da Tapioba, renderam três homens, duas mulheres e duas crianças e espancaram dois idosos e um casal, além de matarem animais domésticos e de criação, roubarem bens, ameaçarem estuprar uma das mulheres e incendiarem todas as 28 casas da aldeia.
As lideranças pedem às autoridades garantias para ficar no tekoha, pois foram expulsos por pistoleiros antes do relatório de identificação ter sido publicado pelo Ministério da Justiça.
Depois de quase dez anos de espera, mais de 2 mil mulheres indígenas e camponesas veem agora seu direito à justiça negado, após decisão da Justiça. Elas representam apenas uma pequena parte das mais de 200 mil mulheres indígenas e camponesas esterilizadas durante os anos 1990.
Deuci Lopes, 17 anos, morreu atropelada na noite deste sábado (8) no corredor que liga Dourados a Ponta Porã (MS). Ela deixa um filho de dois anos, estava acompanhada do marido quando um caminhão carregado com bagaço de cana a atingiu arrastando-a por alguns metros. O caminhão pertencia à Usina São Francisco, que arrenda as terras, reivindicadas pelos indígenas do Apyka’i, de um fazendeiro.
Terras indígenas estão na pauta ruralista, na mira de mineradoras e na arquitetura das hidrelétricas amazônicas. São muitas frentes abertas no Congresso, no campo e no governo. É um mosaico de argumentos que têm em comum a complexidade e a briga pela terra.
“Então o leilão acontece, mas não como os ruralistas queriam. Este leilão é um absurdo, mas as condicionantes impostas permitirão um controle da Justiça, do MPF e dos indígenas sobre os fins dos recursos arrecadados e quem os utilizará”, ressalta a advogada das organizações indígenas.
Cerca de 1.700 indígenas de todo o país, presentes na Conferência Nacional de Saúde Indígena, que ocorre em Brasília (DF) até o final desta semana, realizarão manifestação nesta quarta-feira, 4, a partir das 9 horas, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), local da conferência. Uma passeata está programada.
