MS: Liderança Guarani Kaiowá denuncia ataque de pistoleiros ao tekoha Pyelito Kue

Tradicional assembleia guarani reuniu centenas de representantes da etnia que vivem no Mato Grosso do Sul em 2012. Foto: Marcello Casal Jr/ABr
Tradicional assembleia guarani reuniu centenas de representantes da etnia que vivem no Mato Grosso do Sul em 2012. Foto: Marcello Casal Jr/ABr

A comunidade Guarani Kaiowá do tekoha (Pyelito Kue/Mbarakay) em Iguatemi (MS) está desde a manhã deste sábado, 1 de março, sob ataque de pistoleiros. A denúncia é de líder Solano Lopes, liderança do tekoha: “Homens passam de moto na frente da porteira e atiram na direção da aldeia. Começaram cedo e agora que escureceu ficou mais forte”.
O líder pede proteção às autoridades, pois não é a primeira vez que o grupo é atacado. No tekoha, retomado no último dia 12 de fevereiro, vivem cerca de 250 Guarani Kaiowá. A área onde estão os indígenas é parte da fazenda Cambará, com cerca de 1.200 hectares.
O grupo vivia em um hectare às margens de uma estrada vicinal nas proximidades de Pyelito Kue/Mbarakay. Depois desta última retomada — já é a terceira tentativa do grupo de voltar para o território tradicional e sagrado –, homens não identificados atiraram contra a comunidade, de acordo com as lideranças indígenas.
Sem comida, água, convivendo com a poeira e debaixo de lonas, os indígenas decidiram retornar ao local de onde os mais velhos foram expulsos. O grupo divulgou uma carta, no final de 2012, afirmando a decisão de resistir em suas terras até as últimas consequências, o que despertou a atenção da opinião pública nacional e internacional. Na ocasião eles viviam na beira do rio Hovy.
O tekoha Pyelito Kue/Mbarakay é parte de área identificada com 41.571 hectares de extensão pelo Grupo de Trabalho (GT) da Bacia Iguatemipeguá, localizada nas proximidades da Terra Indígena Sassoró. A fazenda Cambará é apenas uma das várias propriedades incidentes sobre a área identificada.
As lideranças pedem às autoridades garantias para ficar no tekoha, posto que foram expulsos por pistoleiros antes do relatório de identificação ter sido publicado pelo Ministério da Justiça.
(Com Cimi)

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