RJ: Trabalhadores fazem ato no BNDES nesta quarta (26) em favor da agricultura familiar e do meio ambiente

Reunidos num ato contra a formação de desertos verdes (extensas plantações de uma mesma espécie), centenas de trabalhadores rurais ligados ao MST, Fetag, MTL e Contag, dentre outros movimentos que formam a Rede Alerta contra o Deserto Verde Fluminense, estão sendo esperados na manifestação programada para a próxima quarta-feira, 26 de março, a partir das 10h, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio. Da Agência Petroleira de Notícias.

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O protesto é contra a ordem de prioridades nos financiamentos do BNDES que, de sociais, não têm nada. Estaríamos de volta aos tempos do governo Fernando Henrique Cardoso, que chegou a tirar o “S” da sigla do banco? Os manifestantes serão recebidos em audiência, já agendada, pela presidência do BNDES. Participam organizações sociais como MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Fetag (Federação dos Trabalhadores na Agricultura), MTL (Movimento Terra Trabalho e Liberdade) e Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), entre outros movimentos.

O dinheiro público, através do BNDES, está concedendo financiamentos bilionários às monoculturas predatórias de eucalipto e cana de açúcar, promovendo um desastre ecológico que precisa ser contido. As monoculturas avançam cada vez mais sobre a Mata Atlântica, o Cerrado e a Amazônia. Essa é a principal denúncia do movimento.

Mas a Rede Alerta contra o Deserto Verde Fluminense não se limita aos protestos. Na carta aberta que será entregue ao presidente do BNDES e distribuída à população estão contidas várias propostas alternativas ao modelo agrícola exportador.

Os movimentos sociais do campo e da cidade querem que o BNDES financie a agricultura familiar e a produção agroecológica. Também condenam o pedido de financiamento de R$ 1 bilhão, feito pela Aracruz Celulose, para se instalar no estado do Rio de Janeiro, projeto que conta com o apoio declarado do governador Sérgio Cabral (PMDB).

Caravanas de agricultores virão de diversos estados e municípios fluminenses. Estará presente uma delegação de caciques Tupi-Guarani e quilombolas do Espírito Santo que, no ano passado, ganharam na justiça federal, depois de mais de 30 anos de luta, a devolução de 11 mil hectares de terras griladas pela multinacional Aracruz Celulose, que promoveu a destruição de centenas de nascentes, contaminou as terras por agrotóxicos e criou extenso deserto verde com desmatamento de florestas e eliminação de terras agrícolas produtoras de alimentos. Estas terras passarão por uma reconversão ecológica, com projetos de recuperação das áreas degradadas e sistemas agroecológicos, reflorestamento das matas ciliares e das nascentes.

No mesmo dia (26 de março), à tarde, os manifestantes seguirão em marcha, com suas bandeiras e faixas, até o Tribunal Regional Federal (TRF), na Rua do Acre – Centro do Rio, onde ingressarão com uma ADIN (Ação de Inconstitucionalidade), contra lei estadual que favorece apenas os interesses econômicos da Aracruz. A empresa fica autorizada a plantar eucalipto em larga escala, sem obrigatoriedade do licenciamento ambiental.

As áreas a serem ocupadas pela Aracruz conflitam com terras já destinadas à reforma agrária e à produção de alimentos que podem gerar milhares de postos de trabalho no campo e segurança alimentar para as cidades.

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