RJ: Ocupação Guerreiros Urbanos quer transformar em moradia popular prédio que em 2009 sofreu violento despejo

Da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência

O prédio da Avenida Mem de Sá 234, ocupado ontem (13) pela manhã pelo mesmo grupo de famílias, com apoio de militantes, denominado “Guerreiros Urbanos”, que tentou sem sucesso há cerca de um mês ocupar outro prédio do INSS na área portuária, tem farta história de luta por moradia digna nas áreas centrais da cidade.

MTST ocupou prédio na av. Mem de Sá, Rio de Janeiro, em 2007. Foto: CMIAlém de já ter sido ocupada em 2007, em junho de 2009 foi novamente ocupado pelas famílias que haviam sido despejadas da Rua Gomes Freire 510. Apesar de toda a disposição e todos os esforços em abrir uma negociação envolvendo o Ministério das Cidades, o INSS foi intransigente e entrou com ação de reintegração, que foi cumprida em 26/06/2009 com muita violência e envolvendo grande aparato da Polícia Federal junto com a PM.

Ficou claro, na ocasião, a total omissão do Ministério das Cidades, e o “pacto” entre INSS e Prefeitura do Rio (com total apoio do governo estadual) para fazer valer os projetos ditos de “revitalização das áreas centrais”, que significam na verdade expulsar dessas áreas a população mais pobre, para abrir caminho para os empreendimentos do grande capital imobiliário.

A luta por moradia digna nas áreas centrais, que pode ser obtida de forma razoavelmente rápida, haja visto o grande número de imóveis sem utilização e passíveis de recuperação na região, faz parte assim da grande luta que se trava hoje na cidade, a disputa por áreas valorizadas (como Barra e Jacarepaguá, Centro e Zona Sul) da cidade, tendo de um lado antigos moradores de comunidades já consolidadas (como a Vila AutódromoPrazeresLaboriauxMetrô-Mangueira, etc), trabalhadores informais que exercem suas atividades nas áreas centrais e famílias sem-teto; e do outro lado a especulação imobiliárias e as grandes construtoras, apoiadas pelo Estado.

No “meio”, setores que dizem ser a favor de moradia nas áreas centrais e dos direitos das comunidades, que ocupam cargos em órgãos como o Ministério das Cidades ou a Secretaria de Habitação (SMH) da prefeitura, mas que na prática se omitem (caso do Ministério das Cidades, que ignorou todas as propostas feitas pela Ocupação Zumbi dos Palmares desde 2005, e fez promessas nunca cumpridas que só serviram para desgastar a ocupação e preparar terreno para a investida da prefeitura em nome da “revitalização” chamada “Porto Maravilha”), ou colaboram ativamente com os interesses do capital imobiliário (caso da SMH nas tentativas de remoção de dezenas de comunidades em toda a cidade).

Por isso a importância da solidariedade de todos que lutam por uma sociedade justa (e contra o projeto das elites de uma cidade cada vez mais segregada e dividida), não só com os Guerreiros Urbanos, mas com todas a famílias trabalhadoras e movimentos que lutam contra os despejos, remoções e por justiça social.

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