Reconstrução

O fato de estarmos a atravessar no Brasil e no mundo uma circunstância adversa com relação ao que é propriamente humano (Direitos Humanos, sociais, laborais) não deve nos levar a uma desesperança, e menos ainda ao desespero.

O inimigo aposta justamente a isso, a que as pessoas desistam do público e se refugiem numa privacidade anômala e atroz, indiferente e cruel. O que nos toca, como país e como povo, como memória viva de vidas que se prolongam no tempo com um acúmulo de experiência e persistência, é exatamente um aguçamento do sentido de observação, compreensão e ação.

Algo sobre o qual o papa Francisco vêm chamando a atenção no seu livro mais recente (Vamos sonhar juntos. O caminho para um futuro melhor). Ao contrário do que o inimigo afirma, não se trata de ideologias, esquerda ou direita, fe ou o que quer que seja.

É algo maior. É o destino da humanidade e o sentido da vida. Quando a democracia começa a dar certo, quando o direito à vida começa a se generalizar em oportunidades de estudo e ascensão social, emprego e renda, cultura e arte, vêm o golpe. Hoje são golpes maquiados.

Exclusão social de cima abaixo. Pantomima institucional encobrindo as mortes, a exploração, a fome, a miséria, o desemprego. O rei está nu. As Nações Unidas, na mesma linha do Vaticano, vêm chamando a atenção acerca da necessidade de uma reformulação global da ordem mundial.

No dia a dia, aqui em baixo, nas nossas casas e famílias, é o tecido contínuo. O refazer o cotidiano minuto a minuto. A casa começa ser construída de baixo para cima. Na imaginação, no sentimento. No chão.

Daí começamos. A perspectiva do tempo vivido estimula uma atenção e esforço redobrado na criação e na relação. O que estou vendo? O que está acontecendo?  Recuperar os sentidos é preciso. Um dia a vida vai. Que tenha sido vivida! Bom dia!

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