Professores mantém a greve no Paraná

Pela manhã, a categoria protestou contra a violência policial na manifestação ocorrida na última quarta-feira (29), quando ficaram feridas mais de 200 pessoas, segundo a prefeitura de Curitiba.

Sob os gritos de “a greve continua” a categoria – que representa 70% do funcionalismo público do estado – optou pela continuidade do movimento, especialmente contra o projeto de lei que alterou o regime previdenciário dos servidores públicos estaduais.

Cerca de 10 mil educadores de todo o estado, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), participaram da assembleia no Estádio Dorival Britto e Silva (Vila Capanema).

Antes da assembleia desta terça-feira, houve reunião entre o comando de greve e representantes do governo do estado para tratar da pauta de reivindicações. Além de se posicionarem contra o projeto, os educadores reivindicam reajuste de 13,1% retroativo a data-base, realização de concurso público e melhores condições de trabalho.

De acordo com o presidente do APP-Sindicato, Hermes Leão, o governo evitou apresentar uma proposta de reajuste da data-base da categoria, o que foi decisivo para a manutenção da greve.

“Além de toda a indignação que tivemos com o confronto no dia 29 de abril, tivemos uma reunião importante hoje em que o governo deveria ter anunciado a data-base, o reajuste para o mês de maio”, disse Hermes Leão. “A greve precisa continuar para que a gente possa continuar fazendo pressão, porque ainda não tivemos uma resposta firme de que este governo retomará qualquer pleito”, complementou.

Os educadores também decidiram pedir a anulação da sessão da Assembleia Legislativa que aprovou o projeto de lei que modifica o sistema de Previdência Social dos servidores estaduais, o Paraná Previdência.

O governo paranaense quer tirar 33 mil aposentados com mais de 73 anos do Fundo Financeiro, sustentado pelo Tesouro estadual e que está deficitário, e transferi-los para o Fundo de Previdência estadual, pago pelos servidores e pelo governo, que está superavitário.

A medida, segundo o governo, vai gerar uma economia de R$ 125 milhões aos cofres públicos. Os professores são contra e argumentam que a iniciativa compromete a saúde financeira do fundo, que terá de pagar mais do que arrecada, prejudicando a aposentadoria dos servidores para “salvar as contas do governo”. “Vamos continuar com uma luta intensa contra o projeto de lei da Previdência, amanhã vamos para Brasília para nos reunir com o Ministério da Previdência.” Além da reunião, os professores devem participar de uma audiência pública convocada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado para tratar do episódio do dia 29.

Cerca de 1 milhão de estudantes estão sem aulas desde que os professores entraram em greve, há 11 dias. Antes, eles já haviam paralisado as atividades em fevereiro, o que acarretou o atraso do ano letivo em um mês. A Justiça chegou a determinar o retorno imediato dos professores às salas de aula, mas o sindicato entrou com recurso.

“O calendário já foi de certo modo prejudicado. E a culpa pelo prejuízo é do governador do estado e não nossa. Já dissemos que queremos repor os dias parados e não prejudicar qualquer estudante no que tange a conteúdo e à aprendizagem, mas depende muito mais do esforço organizativo do governo. Se eles voltarem amanhã com o índice do reajuste, nós suspendemos a greve”, afirmou o líder sindical.

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