Presépios da Cracolândia

Vejo um homem nas ruas paulistanas
Visitando pessoas nas calçadas
Invisíveis, inertes, destroçadas
Que vagueiam qual hordas desumanas

Este homem que viu lanças romanas
Infligirem em si lesões chagadas
Todo ano caminha de mãos dadas
Com essas almas de vidas tão profanas

São refugos do neoliberalismo
O pior grau do vil capitalismo
Pois forjado nas vísceras do mal

Te pedimos, ó Deus dos desvalidos
Que fiel às histórias dos ungidos
Não apareças apenas no Natal

Martim Assueros
19/12/2023

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