Por que escrever? Para que escrever? Para que viver? Por que viver?

As perguntas abrem um espaço. Abre-se uma possibilidade. Nos dias de hoje age-se muitas vezes irrefletidamente. Alguém dá um comando e eu reajo. Aceito e acato. Ajo sem saber por que nem para que. Assim, a ação não é propriamente minha, muitas vezes.

A minha experiência de vida me ensinou que o que não escrevo se desvanece, desaparece, é como se não tivesse existido. Assim, escrevo constantemente. Desta maneira vou me construindo.

Escrever é ir pondo tijolo por tijolo, construindo espaços, fazendo a vida acontecer. É como desenhar, em certo sentido. Vou fazendo a minha cara. Faço as minhas raízes. Determino se o sol irá entrar ou não na minha casa.

O que se verifica muito frequentemente nos dias de hoje, é uma semi-existência, uma quase inexistência, um viver fronteiriço, que não pode se dizer que pertença propriamente ao sujeito. A pessoa está, mas não lhe pertencem os seus comandos. A rigor, ela não se pertence. Isto leva a uma irresponsabilidade, a uma desistência, um sem-sentido.

É de uma importância crucial que se volte à educação, entendida como o processo do vir a ser pessoa, um processo contínuo. Educação em casa, na família, e também na escola, no trabalho, na rua, na universidade, na cidade, onde for.

Sem educação libertadora, não há humanidade. Isto implica em consciência. E aqui chegamos às perguntas iniciais deste escrito. Escrevemos para viver. Para saber quem somos. Para encontrar e fazer sentidos. Para nos comunicar com o mundo em volta: gente e ambiente. Simples assim.

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