
Com Zelo, Carinho e Cuidado, a Poesia referente à Letra Z, no Processo da Educação Edificante. O Zelo, como Cuidado de toda forma de Vida, é o contraponto ao abandono, indiferença e exclusão.
I – Zum-Zum-Zum no Zoológico
O zum-zum-zum começou, no Zoológico de Zelândia,
quando o Zangão Zacarias e o Ziguezague Zair foram dizer a Zenir,
Pantera Negra a vagar, que a Zebra não podia nem devia ficar lá…
Mas, pourquoi?… Perguntou a Zibelina, Marta francesa do lugar.
O Zangão, muito zangado, disse sem titubear:
Porque Zephy, essa Zebra, não tem lado definido,
até hoje ninguém sabe se é Zion ou Zenoah!
Assim, não dá!
O zum-zum-zum espalhou-se além do Zoológico inteiro,
nas asas da Zabelê e de Zeno, Zaragateiro.
Todo mundo de Zelândia pedia uma solução,
se a Zebra ficaria no meio deles, ou não!
Os Cisnes negros e brancos, Zoe, Zander, Zayra e Zahir
convidam todos os bichos, para poder decidir,
se Zephy seria expulsa, ou ficaria ali.
Vamos ouvir?…
Primeiro fala Zain, um Corvo bem revoltado,
defendendo a pobre Zebra, dizendo estar do seu lado:
Eu sempre fui excluído, por causa da minha cor,
pois dizem que dou azar, e isto é um horror!
Dizer também que “dar Zebra” significa azar.
Quem é que uma história dessas, um dia, veio inventar?…
Não me conformo com isto, e sempre vou protestar,
junto com o Urubu, Zuri, e o Gato Preto Angorá!
Chega Zeno, o Tigre branco, com o Crocodilo albino,
ao lado do Zebu, Zeca, e de Zé, o Zebuíno.
Todos, muito truculentos, queriam expulsar depressa
a pobre Zebra Zephy, sem debate nem conversa.
Zara, elegante Girafa, pergunta admirada:
Afinal, de que a Zebra está sendo mesmo acusada?
Ela precisa falar, precisa se defender,
este zum-zum-zum todo aqui está sendo mesmo por quê?…
Zephy fala para todos, dizendo, sem vacilar
que não sabe responder o que estão a perguntar.
Se sou branca de lista presta, ou preta de lista branca,
digo agora a vocês e quero ser muito franca:
Isto importa, realmente, para a nossa convivência?…
Vocês estão me julgando só por minha aparência!
Sou, tanto quanto são vocês, criatura inacabada;
mas estou inteira aqui, e não me sinto acabada.
Tenho um pouco de Zion e também de Zenoah,
mas isto não é motivo para querer me expulsar.
Na nossa Terra Zelândia, não deve haver exclusão,
e só precisamos ter um olhar de compaixão.
Todos somos diferentes; ninguém aqui é igual.
Não vamos julgar alguém só pelo seu visual!
A beleza de Zelândia está na Diversidade
que, na grande comunhão, vai gerando Unidade!
II – Zazá-Bumba e Zazá-Boi

Zá, zá, zá, Zazá-Bumba,
Zá, zá, zá, Zazá-Boi:
Zabumba do Zazá,
Zazá do Bumba meu Boi!
Quem vem brincar?
Quem já se foi?
Oi!…

Brincantes, venham ligeiro,
venham todos, sem demora!
Ô de casa!
Ô de fora!
Vamos brincar no terreiro!
Aqui, só falta você,
não fique vendo de fora,
comece a se mexer!
Vem participar, vem ver!
Zazá-Bumba toca zabumba,
Zazá-Boi toca pandeiro,
Zequinha, miolo do Boi,
é esperto e é matreiro.
De Norte a Sul do Brasil,
por este Boi se tem zelo!
Zezão é o Pai Francisco,
Zefinha é Mãe Catirina,
Boi de Reis do Ceará,
Boi de São João da Festa Junina,
é o mesmo Boi-Bumbá do Pará,
ou Boi de Mamão de Santa Catarina.
São variados Sotaques,
riquezas do Boi-Bumbá.
Zazá-Bumba, Zazá-Boi
é o Povo todo a zelar
por sua Identidade
e Cultura Popular!
Acorda, meu Povo todo,
depressa, vamos dançar!
Este Boi não vai morrer,
precisa ressuscitar!
Assim é nossa Cultura,
Beleza deste lugar,
pois a Alma de um Povo
não deve se apagar!
Zazá-Bumba e Zazá-Boi
estão aqui para lembrar:
Acorda, enquanto é tempo,
vamos todos acordar!
Entra nesta Grande Roda,
vamos cantar e dançar!
Todo Povo e toda Gente
necessita acordar,
desprezar sua Cultura
é a Alma apagar!
A Vida é movimento,
ritmo, circularidade,
começa o Festejo aqui
e segue na Eternidade!
Aos que por aqui passaram,
só Gratidão e Saudade…
III – Zelo e Geração Z

– Você pode me falar, você sabe me dizer
o que é e como vive a nova Geração Z?…
Zélia, com todo seu zelo de Educadora zelosa,
inicia aquela prosa, com atenção e esmero:
– Prestemos bem atenção à Voz da Geração Z!
Humildade é a Verdade e não se pode esconder,
pois, aprender com o diferente expande a nossa Mente,
enriquece nosso Ser!
Pode crer!
Sala de aula repleta, Zenaide fala primeiro:
– Sou “nativa digital”, conectada o tempo inteiro.
Já nasci e já cresci ligada, dia após dia,
no mundo da Internet e da Tecnologia.
Mas não sou máquina, sou Gente!
Sinto tristeza e alegria…
Sabia?
E, assim, fala Zaqueu:
– Ó meu, pensa você que é fácil?
Nós, os “Zoomers” aqui, somos bem discriminados,
e chamados de coitados, o tempo todo, todo tempo.
Não aguento, sinceramente, não mais aguento!
Também tenho Coração, e não somente uma Mente!
Sou Gente!
Zafira diz para todos, um pouco indignada:
– Nós, da “Gen Z”, percebemos,
e não é de hoje não que, para muitos, a gente
não serve de nada não!
Precisamos ser ouvidos, sem discurso nem sermão,
já chega de preconceito e de discriminação!
Urgente é a Inclusão!
Assim falava Zuleide, não querendo ser a tal:
– Temos também Consciência, social e ambiental!
Valorizamos a Vida, em sua Diversidade.
Chega de tanta maldade!
Odiamos a mentira, hipocrisia e falsidade!
Rótulo, para nós, sempre foi e é horror.
Escutem-nos, por favor!
Zózimo, jovem inteligente, empreendedor e autodidata,
fala em bom tom e voz alta:
– Não queremos imitar os esquemas já montados,
Todos estamos cansados!
Trabalho é mais que salário; não só dinheiro e depósito.
Temos na vida propósito!
Nosso bem-estar mental e qualidade de vida
é meta a ser perseguida!
Todos se pronunciaram e, por fim, Zênia também:
– Acolhimento e Cuidado sempre estão bem mais além
de tudo que é fôrma e forma,
seja em qualquer plataforma, do virtual ao real.
Acolher o semelhante aproxima o distante,
em total conexão, sem barreiras nem fronteiras,
em qualquer lugar do mundo, da Família Universal!
Jovem da Geração Z, será que ainda há tempo
de aprender com você?…
PerYaçu
Educadora-Peregrina da Esperança
Bananeiras-PB: dezembro/2024
Ilustração: Montagem a partir do Google
Vera Periassu – poeta, cordelista e educadora popular
veraperiassu@gmail.com
Nota: Este material, relativo ao trabalho “Poemas do A-B-Ser”, subsidia a “Educação Edificante: Singularidade e Nova Sociedade”, escrita a partir de Paulo Freire e Kierkegaard.
