Pesquisa Ipespe mostra que Lula acerta ao ampliar base de eleitores para frente ampla

Por Eduardo Maretti

Estudo também revela que, entre os que pretendem votar em Bolsonaro, o número dos que se definem como de esquerda e centro-esquerda é zero

Em comentário à pesquisa Ipespe divulgada nesta sexta-feira (13), o cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do instituto, observa que a maioria dos eleitores consultados se diz de “direita” (30%). Segundo a análise, são 21% os que se identificam com o “centro” (centro-esquerda, centro e centro-direita) e 21% se situam na “esquerda”, enquanto 29% não conseguem se autoclassificar.

A composição do voto de Lula mostra que a maioria do apoio ao ex-presidente (54%) “se dá entre os que não se classificam à esquerda, segmento que representa 45% do seu total”, avalia Lavareda. Na análise, para chegar aos 54%, ele soma os percentuais que compõem o voto de Lula da centro-esquerda à direita e também dos que não sabem autodefinir-se. De acordo com o analista, a pesquisa “parece corroborar seu esforço (de Lula) para posicionar sua candidatura de forma transversal no espectro ideológico”.No caso de Bolsonaro se dá o oposto. Entre os que manifestam intenção de votar no atual presidente, o número dos que se definem como de esquerda e centro-esquerda é zero. E 66% se autoclassificam como de direita.

Veja quadro:

“Probabilidade de voto”

A pesquisa também mantém sem alterações significativas o que o estudo classifica como “probabilidade de voto”, que inclui a rejeição aos candidatos.

Entre os pesquisados, 43% dos eleitores respondem que “com certeza” votariam em Lula e 12% “poderiam votar” (eram 13% na pesquisa anterior), somando um universo de votos de 55% de brasileiros. Os que afirmam que não votariam no petista “de jeito nenhum” são também 43%.

A rejeição a Bolsonaro é enormemente maior: 59% rejeitam o presidente completamente (eram 60%). São 32% os brasileiros que têm certeza do voto no atual ocupante do Planalto, e 8% os que podem votar nele, somando 40% de votos potenciais, 15% a menos do que Lula. Considerando o número de eleitores que votaram em 2020, essa diferença equivaleria a 22 milhões de votos, mas o número será maior em 2022.

Os eleitores que não hesitam em afirmar o voto em Ciro Gomes são 11% e chegam a 42% os que poderiam votar no pedetista. Os que o rejeitam são também 42%.

Tucano sem asa

Depois de Bolsonaro, o mais rejeitado é o ex-governador paulista João Doria, com 55% de “não votaria de jeito nenhum”, enquanto apenas 5% garantem o voto no tucano e 32% poderiam votar. Quanto à sul-matogrossense Simone Tebet, que não passa de 2% das intenções de voto, 13% dizem que poderiam votar na senadora e 46% respondem que não a conhecem.

O dado seria positivo para a parlamentar, mas apenas 2% afirmam que votariam nela “com certeza”. Doria e Tebet são os nomes que a imprensa continua insistindo em colocar como postulantes da chamada “terceira via” que até agora praticamente não existe na prática. Desse modo, o levantamento mostrou estabilidade na disputa presidencial, com a liderança de Lula e tentativa de Bolsonaro de reduzir sua rejeição.

Fonte: Rede Brasil Atual

(13/05/2022)

 

Deixe uma resposta