Paraísos fiscais têm 62% do investimentos

Aplicações de nacionais no exterior triplicam em 7 anos para US$ 170 bi. Do jornal Monitor Mercantil

Entre 2001 e 2008, o montante de capitais brasileiros aplicado no exterior quase triplicou, saltando de US$ 68,6 bilhões para US$ 170,4 bilhões. Citando dados do Banco Central (BC), o economista Ricardo Bergamini, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destaca que apenas quatro países concentram 62,4% dessas divisas, dos quais três são paraísos fiscais: as Ilhas Cayman, Virgens e Bahamas.

Os Estados Unidos completam o grupo dos quatro maiores receptores de capital verde-amarelo, principalmente em decorrência de Depósitos e Investimento Direto a Partir de 10%.

“Foram citados (pelo BC) 116 países como receptores de capital brasileiro nesta apuração. Observou-se a prevalência dos países com tributação sobre a renda com alíquota abaixo de 20% (“paraísos fiscais”, como definido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), como destino dos capitais brasileiros”, analisa Begamini em seu site.

Ele acrescenta que a declaração de Capitais Brasileiros no Exterior apurou, na edição de 2008, que 95,4% dos registros de ativos no exterior, que somam US$ 170,4 bilhões, saíram do país sob as rubricas Investimento Direto a Partir de 10% (US$ 80,3 bilhões), Empréstimos Intercompanhia (US$ 41,9 bilhões), Depósitos (US$ 24,1 bilhões) e Investimento em Carteira (US$ 16,3 bilhões). O percentual praticamente repete o de 2007 (95,7%).

“Boa parte desse dinheiro volta ao país para ser aplicado, sem Imposto de Renda, em títulos da dívida pública brasileira”, afirma o economista Rodrigo Ávila, ligado à Rede Jubileu Sul – Auditoria Cidadã da Dívida: “Já os empréstimos intercompanhia são um meio de as filiais remeterem dólares para suas matrizes e ainda contabilizarem como passivo”, resume.

(Original desta matéria em www.monitormercantil.com.br)

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