O Peso da Idade

Gerada por IA

No mercado de trabalho, a palavra “inovação” virou desculpa para descartar quem tem mais de 40. Como se a experiência fosse ferrugem e não bagagem. Empresas que pregam diversidade esquecem que idade também é identidade.
Na vida social, o jovem é silenciado porque “não entende nada da vida”, enquanto o idoso é ignorado porque “já passou da hora”. O resultado? Um círculo vicioso em que ninguém nunca está na idade certa para ser ouvido.
Etarismo é a violência educada: não grita, não sangra, mas corrói. Está nas piadas sobre “tia do zap”, nos olhares impacientes para quem anda devagar, nas entrevistas em que o currículo é descartado antes mesmo de ser lido.
A sociedade que idolatra juventude e descarta velhice esquece que o futuro é inevitável. Quem hoje ri da “velha guarda” amanhã será alvo do mesmo riso. O ponteiro do relógio não tem favoritismo.
O mais cruel é que o etarismo não se disfarça de ignorância, mas de certeza. Certeza de que idade define competência, desejo, relevância. Certeza de que o tempo é sentença, não processo.
E enquanto insistirmos em medir valor pelo número de aniversários, continuaremos prisioneiros de um preconceito que, cedo ou tarde, nos alcança a todos.

AnnaLuciaGadelha
analuciagadelha.pb@gmail.com

6 comentários sobre “O Peso da Idade”

  1. “Pessoas mais velhas normalmente são mais responsáveis e comprometidas com o trabalho”, com essa afirmação algumas empresas, dependendo do cargo a ser preenchido, preferem contratar indivíduos mais experientes, todavia, são exceções. De fato quem já chegou aos 60 encontra muita dificuldade para ingressar ou voltar ao mercado de trabalho. “Se para o jovem falta experiência, para o idoso falta força muscular e agilidade” dizem. Idosos e pessoas com deficiências físicas e cognitivas sofrem um preconceito muitas vezes velado, mas que no dia a dia se revela nas atitudes desrespetosas cometidas contra esses grupos sociais. Gostei do texto breve e objetivo, direto ao ponto. Parabéns!

    1. Muito obrigado pelo seu comentário! Fico feliz que o texto tenha sido objetivo. Sua reflexão ampliou muito o debate, especialmente ao mencionar a questão das pessoas com mais de 60 anos no mercado de trabalho e ao ligar o etarismo a outros preconceitos velados, como os sofridos por pessoas com deficiência. É exatamente esse preconceito disfarçado de ‘certeza’ que precisamos expor

  2. É uma pena que isso seja a realidade da nossa sociedade, onde se rotula as pessoas por causa da idade, sem de fato enxergar cada pessoa como indivíduo único, que tem suas habilidades e competências ou limites e falhas, independente da idade. Cada pessoa deveria ser vista a partir de suas especifidades reais, e não pela idade. Certamente que no mercado de trabalho são desperdiçadas todos os dias pessoas experientes e maduras, e sobretudo com inteligência emocional, ou jovens com capacidades diferenciadas, prontos para aprender e ganhar novas experiência, e assim tantos exemplos poderia citar em vários âmbitos sociais. Uma crônica para repensar a forma de como lidar com as pessoas, sem preconceito ou julgamento. Parabéns!!

    1. Que comentário profundo e certeiro! Sua observação sobre a necessidade de enxergar o ‘indivíduo único’, com suas ‘especificidades reais’ e a inteligência emocional, em vez de focar apenas na idade, toca no ponto nevrálgico do problema. Obrigada, Maria

  3. Sim, e muitos jovens não conseguem o primeiro emprego porque não tem experiência. Como pode isso? Como você disse a opinião do jovem não é acatada por ser jovem e não saber de nada, o idoso não é ouvido, porque esta ultrapassado. Uma controvérsia. E temos que viver nesse mundo, procurando não perder o ânimo e a vontade de viver, porque afinal sabemos que há lugar para todos, o respeito se faz necessário em qualquer ocasião. Aproveitar o trabalhador com mais de 50, 60 até 70 anos, é um privilégio devido a seu conhecimento, experiência e compromisso. Excelente abordagem, Anna Lucia.

    1. Ana Amélia,seu comentário complementa de forma perfeita a minha crítica , destacando a total contradição do mercado de trabalho e da sociedade. Gratidão

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