Não há golpe que segure o anseio popular

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Nada como o carnaval, onde a mistura de gente de tudo quanto é canto, para nos fazer ouvir e perceber os verdadeiros anseios populares.
Se antes, movida pela grande mídia e pelos moralistas de plantão grande parte da população pedia a cabeça de Dilma e enquadrava Lula como traidor e corrupto, hoje parte dos iludidos pode perceber a canoa furada que embarcou.
Há de se destacar que o moralismo de véspera nunca mudou e nunca vai mudar nada neste país. Um projeto de mudança e crescimento, que seja horizontal para todos os brasileiros, deve ter como meta principal extirpar as diferenças, aumentar as oportunidades e ir mexendo pouco a pouco nas estruturas doentias, carcomidas pela corrupção.
O candidato que faz discursos moralistas e coloca o combate à corrupção como meta principal de um governo é um falacioso, que se preocupa somente com a sua imagem e não com a realização das coisas, ou simplesmente é um inimigo de suas próprias práticas. Aécio Neves, José Serra, Temer e muitos outros que participaram da derrubada de Dilma Rouseff ou compõem o governo atual são bons exemplos que resumem bem tudo isso.
O combate a corrupção não pode ser exclusivamente a marca de um governo. Isso, para desespero dos fãs de Bolsonaro, foi dito inclusive, por Ernesto Geisel, presidente no período da ditatura militar. Pois é, Geisel em suas revelações posteriores a presidência, além de afirmar que o combate a desigualdade deveria ser prioridade, ainda defendia com unhas e dentes as nossas riquezas e estatais. Ou seja, até para encarnar a figura do militar linha dura, Bolsonaro é fraco e incompetente. Resumindo, Bolsonaro não representa absolutamente nada: faz um estilo nacionalista, regado de um moralismo idiota. Não tem projetos, nem uma mísera ideia.
A corrupção e a violência são os maiores estorvos das classes mais altas e servem como duas grandes marcas, utilizadas pelos grandes meios de comunicação, para vender, aterrorizar e ludibriar a população. O processo para vencê-los é trabalhoso e exige inclusão. Coisas que parte da sociedade opressora dificilmente aceitará.
Voltando aos anseios populares, o tempo vai passando, aproximando-se de 2018 e muita gente não vai tendo mais dúvida de que Lula é a única liderança capaz de colocar o país de volta aos trilhos. Diga-se de passagem, sem atacar, alardear ou simplesmente moralizar. O Brasil do ex-presidente tinha a maturidade para perceber que não se muda quinhentos anos de uma hora para outra, ainda mais com estruturas dominadas por ambiciosos, perversos.
No carnaval por todo o país o povo botou para fora suas insatisfações e seus desejos. No metrô do Rio, foliões cantavam “ah o Lula vai voltar”; em Salvador, Olinda e São Paulo o “Fora Temer” invadiu as transmissões ao vivo da Rede Globo. Na Paraíba, muitos comemoravam a chegada da água, através da transposição do Rio São Francisco.
A esperança vai ressurgindo e os brasileiros vêm demonstrando, mais uma vez, que o verdadeiro líder é aquele que está no coração e na mente do povo e não aquele imposto por um golpe, fruto da ambição de uma minoria. Pouco a pouco a massa vai se reunido, cantando e pedindo, como nos tempos de Getúlio Vargas a volta do líder popular.
Só nos deixando uma saída, que vem bem representada pela música interpretada por Francisco Alves, nos tempos de Vargas: “Bota o retrato do velho outra vez, bota no mesmo lugar”.
Foto(*): luizmuller.com

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