País sem História: Tempos críticos

fabio nogueiraO último texto que escrevi para o Fazendo Média mostrou a minha preocupação com a reforma do ensino médio. Entre as novidades desta reforma está a não obrigatoriedade das disciplinas de História, Geografia e Educação Física.
O atual governo garante que este método dará certo em nosso país, as experiências são sucesso nos países desenvolvidos e por que não dariam certo aqui? As comparações chegam à beira do absurdo. Não há como fazer de parâmetro países onde a política de Educação é tratada como assunto de Estado, e todos os alunos são bem preparados e a qualidade é altíssima em comparação com a nossa que já nasceu atrasada e excludente.
Para esta reforma não houve consulta ou debate com as partes envolvidas: professores, diretores, coordenadores e pais. O primeiro desrespeito começa neste quesito.
Nesta semana por acaso estava lendo um artigo do pseudo historiador Leandro Narloch, no qual ele destilava o seu veneno na Escola de Samba Unidos do Tatuapé, de São Paulo. O tema era África como berço da humanidade. A falta de conhecimento do “Estoriador” referente ao continente é estarrecedora. Em linhas gerais, o pseudo afirma que o continente africano é um atraso. Pobre Estoriador. Se ele soubesse a história da África, sua contribuição para diversas áreas desde economia, filosofia, medicina e higiene pessoal, ele não falaria tanta besteira.
Se ele soubesse quem cometeu as maiores brutalidades contra a humanidade ficaria espantado. Se soubesse quem introduziu a escravidão com recorte racial ficaria surpreso. Se soubesse quem espalhou moléstia entre os índios das Américas contribuindo para o extermínio dos primeiros povos ficaria com dor de cabeça. O ato de pensar é dolorido para esses pseudos de história, porque têm distância da leitura e pesquisa.
As críticas são válidas para vermos onde estamos errando. No entanto, críticas sem base de conhecimento, sem pesquisa e sem leitura são fadadas à mentira. Não vou tomar tempo em comentar o artigo desse cidadão. Quem quiser tire suas conclusões.
Tenho temor na alma e no cérebro pela não obrigatoriedade do ensino de história nas escolas públicas de ensino médio, e o aparecimento dos notórios do saberes. Pode se alastrar a quantidade de pessoas com boa vontade e sem qualificação pedagógica. Não haverá a preocupação com a pesquisa e a leitura. O risco em dizer que as pirâmides do Egito foram construídas por extraterrestres é muito grande. A possibilidade em mencionar a ditadura militar como modelo democrático pode virar regra.
É lamentável como há alguns professores e alunos, utilizando literaturas fantasiosas passando-se de história. Um claro sinal que estamos indo para a falência do ensino público. A derrocada está a caminho. A desigualdade educacional aumentará mais e mais.
Enquanto isso, as panelas estão em silêncio, os gritos por moralidade não ecoam pelos quatros cantos do país pedindo educação de qualidade . A intranquilidade toma conta de mim. Ler e ouvir “estoriadores” como fontes a pesquisar dói demais. A função de Historiador e professor de história está perto da extinção.
Governo que não leva sério a História cometerá um crime contra a memória brasileira. Um país sem História é um país sem memória .

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