Mundo árabe eclodido: do Líbano para a Líbia com ódio

Bem, os EUA finalmente se renderam aos seus aliados terroristas: Reino Unido, França e Líbano apoiaram no Conselho de Segurança da ONU a criminosa zona de exclusão aérea sobre a Líbia para impedir que o genocida Muamar Kadhafi continue a massacrar a sua população. China, Rússia, Brasil e Índia se abstiveram na votação do Conselho de Segurança. É claro que Irã e Israel não reclamam quando um país árabe é ameaçado de destruição, pelo contrário. A “oposição” líbia é oriunda da Cirenaica, território da confraria islâmica Sanusi. Os sanusis só governaram a Líbia mediante uma monarquia federal, para não desagradar as demais tribos, que até então viviam independentes umas das outras. A monarquia foi deposta pelo então capitão Muamar Kadhafi, golpe militar apoiado pelos EUA e Inglaterra.

Obama, muito mais ardiloso que W. Bush, já demonstrou que não aceita intervenção direta americana no ataque à Líbia, o massacre proposto pela ONU deve ficar a cargo da França e os países árabes (estaria o Líbano envolvido nestas operações?). Talvez seja feito pela OTAN.

Não há como Obama intervir diretamente na Líbia, as tropas americanas estão ocupadas demais exterminando paquistaneses e afegãos, além de auxiliar o governo iraquiano genocida e pró-Irã de Nuri al-Maliki e Jalal Talabani, que massacra as manifestações populares contra o sectarismo, o autoritarismo, a corrupção e as intervenções dos EUA e do Irã. Todos os dias, centenas de afegãos e paquistaneses são exterminados pelos aviões tripulados e não-tripulados da Força Aérea dos EUA, outras centenas, exterminadas pelas bombas da OTAN. Nenhum destes assassinatos são reportados pelas mídias ocidental e árabe liberal.

A zona de exclusão aérea já havia sido aprovada pela Liga Árabe (que, como meu pai sempre me dizia desde pequeno, trata-se do mais poderoso lobby pró-Israel do mundo), com apoio do Líbano, cuja sede de vingança pela morte de Musa al-Sadr justifica a destruição de um país. Arábia Saudita sempre foi inimiga declarada de Kadhafi, não surpreende, portanto, que o gabinete libanês de Nagib Miqati, apoiado prlo Hizbollah e Walid Jumblat (sim, o mesmo que apoiou a invasão israelense de 2006 para destruir o Hzbollah e, claro, o Líbano e a Síria, lembremo-nos que em 2005, o terrorista Jumblat tomava champangne com W. Bush e Samir Geagea, não há dúvidas quanto à sua coerência, só é amigo de carnicieiros). O Hizbollah acredita que tem licença para fazer o que quiser só porque combate Israel, que ocupa o sul do Líbano. É mais um erro de cálculo.

Enquanto isso, a ditadura do Iêmen extermina a população que “ousa” pedir o fim do regime terrorista de Ali Abdullah Saleh, com total apoio e coordenação de Riad e Washington. A Arábia Saudita invadiu o Iêmen desde 2009, para exterminar uma revolta popular liderada por yazeditas (adeptos de um ramo do xiismo), quando bombardeou estas populações com armas de fósforo. A guerra civil continua e simultaneamente eclodiu um levante popular na capital para protestar contra o desemprego, a pobreza, a falta de perspectivas e, sobretudo, contra a ditadura. Desde então, a feroz repressão do ditador genocida Ali Saleh recrudesceu.

O Bahrein está agora sob ocupação militar da Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos. A imprensa ocidental e iraniana insiste criminosamente em dizer que as manifestações contra a autocracia da dinastia al-Khalifa, há 200 anos no poder, é sectária, uma luta de uma maioria xiita contra a opressão da minoria sunita (o mesmo discurso preconceituoso sobre o Líbano, Síria e Iraque, na verdade hoje é possível dizer que xiitas e curdos sectários iraquianos perseguem, oprimem e massacram os iraquianos sunitas, cristãos e palestinos). O banho de sangue continua sob censura na imprensa ocidental e árabe liberal.

A Junta Militar que tomou o poder no Egito já está autorizando a saída de armas para os “rebeldes” líbios, numa clara evidência de o regime militar egípcio continua, continuando a ser um poder à serviço dos EUA e de seus intteresses no Oriente Médio. Isto significa também que a legítima manifestação em favor da democracia contra ditadura de Kadhafi está sendo intrumentalizada para destruir a Líbia e destruir o próprio estabelecimento da democracia na Líbia. Como covarde que sempre foi, Kadhafi já decretou cessar-fogo quando a ONU votou a favor da zona de exclusão aérea.

As forças reacionárias estão unidas e continuam derrubando e massacrando todas as manifestações pró-democráticas no mundo árabe.

A forças populares no mundo árabe têm muitos inimigos: Irã, Israel, EUA, Turquia e, claro, as ditaduras árabes que massacram suas populações e destroem seus próprios Estados. É preciso denunciá-los, sempre.

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