Missão investiga denúncias contra Companhia Siderúrgica do Atlântico

Do portal do MST, 17/09/2010

Uma missão de investigação sobre denúncias faz uma visita à sede da Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (17). A missão tem por objetivo averiguar crimes ambientais, trabalhistas e diversos danos aos moradores causados pela Companhia Siderúrgica do Atlântico, formada pelo consórcio ThyssenKrupp e Vale.

O grupo conta com a deputada alemã do Parlamento Europeu Gabriele Zimmer (GUE/NGL), representantes dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, do Ministério do Trabalho, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Fiocruz, além de intelectuais e ativistas de direitos humanos.

Em virtude de crime ambiental cometido pela TKCSA, depois de dois meses após sua inauguração, em julho de 2010, uma grande quantidade de partículas brilhantes foi lançada no ar no final de agosto. A transnacional foi multada em R$ 1,8 milhão pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

As consequências são graves. O material se acumulou em árvores, carros e móveis, provocou feridas de difícil cicatrização na pele dos moradores, além de registros de graves crises respiratórias.

Abaixo, um histórico das denuncias e da missão.

A Missão irá visitar comunidades do entorno da empresa, incluindo a ida a escolas e unidades de saúde da região. Serão recolhidos depoimentos para futuras investigações sobre os impactos provocados pela siderúrgica. Também está na programação um encontro com representantes da TKCSA. Pretende-se cobrar responsabilidade à transnacional, e verificar que medidas estão sendo tomadas para reparar os danos causados.

A TKCSA integra o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), tendo financiamento do BNDES. Apesar disso, não faz uso da mesma tecnologia exigida às empresas de mesmo porte na Europa. Essa tecnologia reduziria em até 90% a poluição emitida durante o processo produtivo.

São exemplos de outras violações aos direitos humanos, ambientais e trabalhistas cometidas pela TKCSA: 1) Cerca de 8 mil famílias de pescadores tiveram seu ofício prejudicado. Após dragagens na Baía de Sepetiba, metais pesados voltaram a superfície das águas; 2) Em 2008, 120 trabalhadores chineses foram encontrados sem registro e em condições semelhantes ao de trabalho escravo no canteiro de obras.

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