Lava Jato foi ideia dos EUA para destruir indústria nacional, afirma Lula

O envolvimento da Lava Jato com os Estados Unidos para prejudicar a indústria nacional está ficando clara, afirmou o ex-presidente Lula em entrevista à Rádio Gaúcha, do RS, nesta quinta-feira, 9. “A ideia de fazer esse processo (Operação Lava Jato) todo nasceu no Departamento de Justiça dos Estados Unidos”, afirmou Lula, citando as recentes denúncias da Agência Pública.

Aos incrédulos entrevistadores, Lula explicou as razões do interesse norte-americano em patrocinar as ações do FBI em território nacional. “A quem interessa acabar com a indústria naval? A quem interessa acabar com a indústria da construção, com a engenharia civil brasileira que trabalhava nos EUA, que trabalhava na Europa, que trabalhava na África, que trabalhava na América Latina?”.

Para Lula, a Lava Jato poderia ter sido um grande instrumento de combate à corrupção, mas foi corrompida pelos seus operadores. “O problema é que eles transformaram a Lava Jato em um partido político”, afirmou Lula. “Pesquisem como vivem hoje os delatores. O que eles fizeram foi legalizar a corrupção”, disse. “Quebraram as empresas e ao invés de punirem os donos, puniram os trabalhadores”, destacou.

 

Seguindo o dinheiro

Em uma “thread” (sequência de tuites), com 28 postagens, a jornalista Natália Viana, editora da Agência Pública, explicou o interesse financeiro da operação Lava Jato, em especial de Deltan Dallagnol, em sua colaboração com os Estados Unidos. “Desde pelo menos 2015 já havia comunicações entre o DOJ (Departamento de Justiça dos EUA) e Deltan Dallagnol. Em fevereiro, Rodrigo Janot foi aos EUA acompanhado de Dallagnol e outros procuradores para apresentar as investigações e discutir um acordo de cooperação judicial”.

“Por sua vez”, continua ela, “o então chefe da Unidade de Corrupção Internacional do FBI, George ‘Ren’ McEchern diz que desde 2014 o FBI estava buscando países que ‘poderiam convidar agentes do FBI até o país para analisar investigações de corrupção que tivessem um nexo com os Estados Unidos’”. A operação Lava Jato acelerou suas operações em 2014, durante as eleições presidenciais.

 

Ainda, de acordo com a editora da Agência Pública, “em outubro de 2015, Deltan e companhia organizaram uma visita de procuradores do DOJ e agentes do FBI e fizeram um excelente briefing sobre as delações”. Na ocasião, segundo ela, ainda apresentaram os agentes do Departamento de Justiça dos EUA e do FBI aos advogados dos delatores da Odebrecht e Petrobras. A Lava-Jato escondeu a visita do governo federal.

Divisão da grana

Enquanto os encontros secretos ocorriam à revelia as leis brasileiras, “representantes do governo americano já avisavam em reuniões fechadas que pensavam em impor à Petrobras uma multa de 1,6 bilhão de dólares”, diz Natália. Era o sinal para a Lava Jato abocanhar recursos para seus planos futuros, entre eles, a suposta “fundação”, que teve sua pretensão frustrada pela ação do STF

“Ontem falamos com eles sobre ‘assets sharing’ da multa e perdimento associados à ação deles contra a Petro, e em parte desses valores há alguma perspectiva positiva”, disse Deltan Dallagnol em uma das conversas divulgadas pela #VazaJato. “Asset sharing” é o termo elegante para divisão da grana.

Nova investida

Diante do insucesso da “Fundação Lava Jato” e da perda do seu comandante, Sergio Moro, a juíza Gabriela Hardt apelou para a demagogia com recursos alheios. “Em nome da operação Lava Jato”, ela ofertou R$ 500 milhões ao governo para combate ao coronavírus. Os recursos, no entanto, não pertencem a Lava Jato, mas ao governo federal.

Embora cumpra uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a “oferta” tem clara intenção de socorrer a operação e, mesmo Sergio Moro, diante da desmoralização da Lava Jato. Assinada pelo presidente do CNJ, ministro Dias Toffoli, a decisão prioriza a destinação de recursos de multas ao combate à pandemia do coronavírus.

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