Lagarta, Lírio e Libélula

LAGARTA, LÍRIO e LIBÉLULA

A lagarta Ludmila vive a lagartear:
tudo que vê pela frente, ela pensa em devorar.

Ludovico, o pobre lírio, vive sempre amedrontado,
com medo que Ludmila se encoste do seu lado.

Pede ajuda à Lucinha, a Libélula guardiã,
que vem depressa voando, logo cedo da manhã.

Lucinha, minha amiga, dê-me asas pra voar…
Desta lagarta voraz, eu preciso escapar!

Ludovico, meu amigo, isso eu não posso fazer…
À Lei da Mãe Natureza, não posso contradizer.

Você não pode ser eu; eu não posso ser você…
Suas dores e alegrias só você pode viver!

Lucinha, eu vou morrer! Ludmila é perigosa:
ela lagarteia tudo, de forma silenciosa.

Não tenho perna, nem braço, e nem asas pra voar…
Não sei o que vou fazer, para dela escapar.

– Meu amigo Ludovico, você não deve ter medo!
Vou agora lhe contar um valioso segredo:

Você foi agraciado com dons muito preciosos,
dentre todos os presentes, são eles os mais valorosos:

A Pureza e o Perfume que emanam do seu Ser
são as Belezas mais raras e difíceis de se ver!

Quem vive lagarteando, só pensa em lagartear...
Nunca olha para o alto, e nunca vai enxergar!

PerYaçu

Bananeiras-PB: 20 de agosto de 2024

Ilustrações: Montagens a partir do Google

Vera Periassu – poeta, cordelista e educadora popular
veraperiassu@gmail.com

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